terça-feira, 4 de março de 2014

FC Porto e NY Knicks - o fundo do mesmo poço


Este artigo sobre os New York Knicks foi publicado ontem no Bleacher Report, após mais uma pesada derrota da equipa de basket nova-iorquina, desta vez contra os Chicago Bulls (a época dos Knicks está a ser horrível). Curiosamente, mudando os nomes e um pouco do contexto, o texto aplicar-se-ia perfeitamente ao FC Porto actual. Foi o que fiz aqui. O ponto de partida foi a declaração da estrela dos Knicks, Carmelo Anthony (os Knicks destruíram a equipa interessante que tinham para o poder comprar, há dois anos), em como esta forma de perder "era embaraçosa".

...
Embarrassing doesn't even begin to describe it.

The Knicks FC Porto are 1-7 since the All-Star break have only won 1 match in 8 on the European trail, and their last three losses have come by an average of 22.7 points four matches did not end in a win. Their defense is broken, the offense is inconsistent and, worse, there is no end in sight.

Mathematically, the Knicks FC Porto fare still able to clinch a playoff berth win the League title or other competitions. Realistically, though, nothing could be further from the truth. Nothing about the Knicks' FC Porto’s recent efforts suggest they'll be able to usurp three of the Charlotte Bobcats, Atlanta Hawks, Cleveland Cavaliers and Detroit Pistons Napoli, Benfica or Sporting. Absolutely nothing.

Leadership is clearly an issue on this team. You don't need pessimistic postgame comments to understand that. Look at the standings. Look at the box score.
Look at the on-court product.

Head coach Mike Woodson Paulo Fonseca has lost the ability to inspire, Tyson Chandler Hélton is leading an individual mutiny on the defensive end, Raymond Felton Licá can no longer mask glaring offensive and defensive inadequacies and Amar'e Stoudemire Danilo is providing answers to questions he knows nothing about (defense).

Then there's Anthony Jackson Martínez, the once-optimisic superstar-turned-acquiescent skeptic.

"It's hard to keep coming up with excuses why it continues to happen," Anthony Jackson said.


At this point, there are no excuses. There are only reasons—effort, defense, heart, pride, dysfunction, effort, effort, effort, etc.—all of which bring us to an inevitable and irrevocable conclusion: The Knicks FC Porto are an awful, pride-lacking basketball football team, giving chase to a playoff berth title bid they don't deserve and, ultimately, that they won't even come close to catching.


domingo, 2 de março de 2014

Motivos para renovar já

Liga: 21 jogos, 13 vitórias, 4 empates e 4 derrotas.

Total da temporada; 31 golos sofridos.

Uma equipa que já teve 5 pontos de vantagem na liderança da Liga está, à 21ª jornada, com 9 de atraso para o primeiro classificado, 4 de atraso para o segundo e apenas 4 de avanço sobre o quarto...

Um treinador que ganha 60% dos jogos e oferece os níveis de incerteza e espectáculo nos jogos, é de manter a todo o custo.

Especialmente se o Presidente quiser marcar os últimos anos do seu legado sendo alvo de uma chacota desta dimensão.

É renovar, Presidente.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Gosto deste gajo


Eintracht/Borussia/Bayern 3 - FCP 3: Bot'acima e bot'abaixo

Este era um daqueles jogos que poderíamos classificar como uma lose-lose situation: 1. a eliminação seria uma desgraça desportiva e financeira, mas tornaria insustentável a permanência do treinador (?); 2. a passagem na eliminatória contra uma equipa fraquíssima seria desportivamente o mínimo exigível para esta época, mas salvaria o treinador e prolongaria a nossa agonia por mais umas semanas.
 
Nenhuma delas era perfeita. Porém, o facto é que passámos a eliminatória e Paulo Fonseca respira mais uns dias. Vamos a análises:
 
  • Bot'acima
- A garra e o querer: mesmo quando se desaprendeu de jogar futebol. Sobretudo na segunda parte, agressividade, a atitude, a perseverança, a garra, tornaram possível este épico resultado quando já poucos acreditavam.
 
- Mangala: pelos dois golos marcados. Valeu a passagem na eliminatória e permite esquecer a exibição defensiva;
 
- Ghilas: um poço de força, de vontade, de acutilância e de energia. Diametralmente o oposto de Jackson, motivo pelo qual considero que é muito melhor opção para titular neste momento. Com confiança, as coisas sairão naturalmente. Este golo dá um injeção de moral que, esperemos, o treinador não saiba estragar.
 
 
  • Bot'abaixo
- O amadorismo: apesar de termos passado, de termos marcado 3 golos fora, ninguém nos respeita. Nem o Estoril, nem o Eintracht, nem os próprios jogadores parecem ter alguma auto-estima. Sofremos, nesta eliminatória, 5 (!) golos risíveis, dignos de uma compilação para palestras a equipas de juvenis sobre como não defender (sendo o 2º golo do Eintracht no Dragão o expoente máximo disto). Perdidos em campo, sem ideias, sem soluções, sem rigor, sem rasgo, com muito querer, vontade e garra, mas se ontem chegou contra uma equipa fraquíssima, é uma receita que não é sustentável numa estrutura profissional como a do FCP;
 
- Jackson: durante o jogo, comentava o nosso amigo Luis C. que, desde que Falcao se lesionou e ficou com o Mundial em risco, que parece que Jackson joga ainda com menos intensidade, com mais receio das bolas divididas, ou seja, "deixa-me tirar o pé, que ainda me aleijo e depois não jogo no Brasil". Pois, e é também por este motivo que está na altura de o treinador ter a coragem de o pôr no banco. A suplente é que não vais mesmo ao Brasil. Queres ir? Joga, corre, marca golos.
 
- Maicon: a culpa não é só tua, rapaz, pois o PF ter posto o Abdoulaye a titular uns minutos depois de ter chegado de Guimarães deve tirar a moral toda a um gajo. Mas não pode ser, são erros a mais num profissional.
 
 
Dito isto, resta uma nota positiva para a boa disposição reinante no balneário depois do jogo...
 
Foto: o Jogo
 
 
Porém, insisto neste ponto: o FCP não é uma equipa de futebol para ser levada a sério neste momento. E o resultado de ontem foi também fruto de muita sorte, sendo de notar que em 8 jogos europeus esta época, o FCP só ganhou 1 (em Viena). Como tal, não sei se o lugar de PF ainda está à disposição - caso esteja, seria um bom momento para dele dispor e tentar salvar o resto da época.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ainda não está claro contra quem / onde jogamos!


By: calcanhar de viena

Leituras do dia

Sendo este Café um espaço ecléctico, por definição, tal reflecte-se nas leituras diárias que disponibilizamos aos nossos clientes.
 
E hoje resolvemos diversificar as propostas, aproveitando para dar descanso aos nossos espíritos: afinal nem tudo são más notícias no reino do Dragão. Também há bons ventos que sopram, mesmo que não sejam desportivos e possam ser quase do foro privado. Mas só que não são.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Paulo Fonseca? Pois... também.

Suponho que por razões profissionais e de alguma 'curiosidade académica' sempre me interessaram os temas ligados ao 'Rise and fall' das organizações. O que leva as organizações (empresas, clubes,...) a atingir níveis de excelência e, posteriormente, a iniciar um declínio que muitas vezes culmina na sua extinção. A amazon está cheia destes títulos, porque a história também. 
Se calhar por isso me interessa um ângulo de análise ligeiramente diferente a este período do nosso clube.
Sem nenhuma especial pretensão, vamos a factos:
1. O fcp vive um período complicado do ponto de vista desportivo, com 3 épocas consecutivas de falhanço europeu (patamar que estava razoavelmente consolidado) a somar a uma época de 2013.2014 em que muito provavelmente não conquistaremos o título nacional e às duas últimas em que precisamos de uma generosa dose de demérito dos nossos adversários.
2. O fcp vive um período muito complicado do ponto de vista financeiro (passivo bancário enorme e empréstimos obrigacionistas a taxas estratosféricas...), com défices consecutivos, apesar das vendas milionárias que a cada época se vão concretizando
3.  São conhecidas as convulsões internas, que se materializaram recentemente na demissão de Angelino Ferreira (estranhamente passou despercebida) em discordância com as posições e o rumo que a SAD tem tomado
4. São conhecidas as convulsões internas na SAD dividida em dois grupos liderados por AH e APC que se degladiam pelo poder de controlar contratações (ver nas contas da SAD os custos de intermediação e agenciamento contabilizados) e marcar já territórios para o pós Pinto da Costa
5. A cada semana que tem passado têm sido batidos recordes negativos de assistências no Dragão, num evidente divórcio e descrença da famosa 'massa associativa' na sua equipa
6.  A qualidade do plantel do FCP é claramente inferior à média, eu diria, das últimas 10 épocas, apesar de orçamentos crescentes
7. É evidente a ausência de líderes e referências fora e dentro de campo (Lucho no Qatar)
8. É evidente a total separação entre a equipa principal e toda a formação do clube (excepção Josué)
9. É no mínimo questionável a política de contratações da SAD (os mexicanos Reyes e Herrera custaram tanto quanto metade do plantel do Sporting)
10. É visível que aos olhos dos jogadores o FCP serve neste momento de montra e plataforma para chegar a outros mercados. Mais, não têm pruridos em verbalizar o desconforto da suplência ou da transferência que afinal ainda não se concretizou. Vestir a camisola? Honrar o clube? Coisas do passado.
Querem despedir o Paulo Fonseca?
Acho bem, porque é penoso perceber o desnorte da equipa e o desequilíbrio que ele vive. Até por respeito pelo homem, que claramente vive uma fragilidade emocional que imagino insuportável (Dortmund, Leverkusen, ...).
Mas gostava realmente que entendessemos que a crise no nosso clube vai muito muito muito para além do treinador.
Fosse assim tão fácil, estaria eu bem mais tranquilo...
Não estou, e voltando ao início deste post, espero não ver à venda proximamente o livro The Rise & Fall of FCP.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O que terá acontecido...

...a Paulo Fonseca entre a flash interview e a conferência na sala de imprensa?

Na flash interview, questionado sobre os lenços brancos, respondeu: "Vamos ver, vou falar com o Presidente. Este é um atraso difícil de aceitar". Uma postura aparentemente conformada, resignada, de quem havia tomado consciência que bater palminhas e gritar "Vamos" não ganha jogos.


Na sala de imprensa, esteve outro homem. Sisudo, fechado, quase monossilábico.. No contexto do que acabara de dizer na flash interview ("Vou falar com o Presidente"), é-lhe perguntado: 

- "Que ideias espera trocar com o Presidente do FCP?". A resposta: "As habituais a seguir a um jogo, como faço sempre". Nota da gerência: o problema é precisamente que se estão a tornar habituais estas conversas...


- Nova pergunta: "Após 4 derrotas no campeonato, em 11 jogos, sente ainda vontade de continuar à frente do clube?". Resposta: "Penso que este jogo, seguindo o seu rumo normal, nós teríamos ganho (...) mas perdemos e as coisas estão mais difíceis". 

- Jornalista insiste: "Sente vontade de continuar a ser técnico do FCP?" Resposta: "Claro"

Sendo verdade que terá (pela 3ª vez) colocado o lugar à disposição da SAD, quem terá telefonado a PF antes da conferência de imprensa a dizer-lhe para moderar o discurso, para que a SAD não se visse obrigada a despedi-lo mesmo???

Dos problemas: os jogadores à Porto

É conhecido o pouco apreço que este membro da gerência do Café das Antas tem pelo (ainda) actual treinador do FCP. Porém, a sua falta de competência e capacidade para dirigir, mais do que treinar, uma equipa do gabarito do FCP não é a única explicação para a paupérrima época que temos feito.

Aproveitando uma visita de Ricardo Carvalho e João Moutinho ao Museu do FCP, o Presidente do FCP, que os acompanhou, teve esta curiosa tirada: "São dois jogadores à Porto".


Talvez seja excesso de interpretação minha, mas achei curioso que o Presidente tenha mencionado este aspecto, por ocorrer numa época e num período particularmente complexo da história recente do FCP.

Ao ver o FCP jogar esta época, constato que este é um dos aspectos centrais do nosso insucesso: ou não temos jogadores à Porto ou, tendo-os, não o estão a ser. Em conversa com um amigo portista há semanas, recordámos que o FCP havia ganho a Taça UEFA com jogadores como Marco Ferreira, Maciel, Nuno Valente ou que ganhou a Liga Europa com homens como Mariano Gonzalez ou Sapunaru.

Este ano, penso que há muitos jogadores que ainda não compreenderam o que é ser um jogador à Porto, ou porque nunca lhe foi incutido, ou porque não há referências no balneário, ou, ainda, porque correspondem deliberadamente a um perfil que não encaixa na mística de um clube como o nosso, estando mais preocupados com o salto seguinte na carreira do que em honrar o compromisso de serem Porto.

Incluo neste lote Danilo, Alex Sandro, Mangala e Jackson Martínez, jogadores cujo valor futebolístico é inegável, mas cuja atitude competitiva levaria qualquer treinador de gabarito a convidá-los a uns jogos de banco..


domingo, 23 de fevereiro de 2014

De hoje não pode passar!

84 minutos, o FCP perde em casa com o Estoril. Opções:

1. O treinador do FCP virá no fim do jogo dizer que foi uma injustiça, só uma equipa quis ganhar, o futebol é traiçoeiro, os adeptos devem estar contentes. O Estoril (ou o Paços de Ferreira, ou o Norwich, todos equipam de amarelo) não fez nada para ganhar;

2. O treinador demite-se;

3. A SAD demite o treinador.


Se a opção for 1, esta época acabou hoje. Se é que alguma vez chegou a começar.. Vamos penar até ao final, de derrota em derrota (quatro delas com o nosso principal rival).

Basta deste amadorismo!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Outra pergunta simples...

...agora ao treinador do FCP que declarou, no final do jogo, que os adeptos "devem estar satisfeitos com o futebol apresentado": conhece algum adepto que esteja satisfeito com o buraco em que V. Exa. meteu o FCP?

Uma pergunta simples...

...a fazer ao Presidente do FCP: se fosse hoje, também renovava com este treinador?

Continua satisfeito com o 2º lugar a 4 pontos de distância, fora da Champions com um record negativo de pontos e com um pé fora da Liga Europa?

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

De acordo com quase tudo. A ler.

http://www.maisfutebol.iol.ptcartao-de-memoria-o-fc-porto-precisa-saber-o-que-quer

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Solução

Tenho duas palavras que solucionariam esta depressão coletiva que se chama FC Porto: Marcelo Bielsa.

domingo, 12 de janeiro de 2014

(Sinto-me) Triste

Esta tarde, já depois do jogo em que o FCP perdeu o 12º ponto da época, um dos nossos fregueses entrou-nos pela porta e atirou este bitaite: "Tanto mal diziam do Pereira, era 100 vezes melhor que este fraquinho!" 

E tem razão!! Olhemos apenas, para dois factos: i) Paulo Fonseca (PF) já perdeu tantos pontos esta época, como Vítor Pereira (VP) em toda a temporada passada; ii) nos dois anos em que esteve à frente do FCP, VP não perdeu nenhum jogo com o adversário de hoje. E isso, para qualquer portista, é do mais valioso que existe.

É conhecido que a gerência deste Café não era apreciadora das características de VP enquanto treinador do FCP. Sofremos muito, em muitos jogos, fomos precocemente eliminados das competições europeias (Apoel Nicósia, anyone?), mas a verdade é que acabámos por ser bi-campeões. Apesar de VP, em minha opinião.

O actual momento do FCP é terreno fértil para comparações desta natureza, mas a verdade é que ter saudades do futebol que o FCP praticava com VP, sendo legítimo, parece-me ser de memória curta e, acima de tudo, um nivelamento por baixo que não abona muito em favor da grandeza e ambições do FCP. Qualquer coisa como: "Este tipo é tão mau que até tenho saudades do VP". 

É um facto que PF é um monumental erro de casting, que apenas a teimosia messiânica do nosso Presidente impede que seja corrigido. Já aqui dissecámos os motivos pelos quais não é treinador ao nível daquilo que os adeptos esperam da equipa, e podemos acrescentar a isso aquela atitude penosa de bater palmas e gritar "Vamos, Vamos" em cada borrada que a equipa faz. Faz-me lembrar alguns "misters" da Liga dos Últimos, depois de 5 minis e duas sandes de courato...

Sobre o jogo de hoje, em nada me surpreendeu. Uma equipa tão macia, com tão pouca intensidade e sem identidade como é o FCP de PF, apenas por milagre ganharia o jogo de hoje. Ou os dois com o Atlético de Madrid, ou com o Zénit.... falta quase tudo a esta equipa. E, apesar dos desequilíbrios do plantel, não é aí que está o problema. 

Tenho saudades de ver o FCP jogar futebol, ter uma ideia de jogo, identidade, ATITUDE, entrar em campo a saber o que fazer, isso sim. Mas deixem-me que vos diga que, se é de saudades que falamos, não é de VP que sinto falta. É de André Villas-Boas.





terça-feira, 31 de dezembro de 2013

(Senti-me) Triste

Foto: Jornal Público


Vi o nosso FCP jogar ao vivo pela segunda vez esta época, muitos jogos depois da única ocasião em que tinha visto os homens orientados (?) por PF  porem em campo tudo aquilo que (não) sabem. E, se em Setúbal, por ser  a primeira jornada, um novo treinador, etc., a paciência e o benefício da dúvida ainda eram grandes, ontem já não.

Ontem senti-me triste. Em conversa com o meu amigo Luís C., durante o jogo, foi esse o adjectivo que encontrámos para melhor caracterizar o sentimento que tivemos durante todo o jogo. Nem zangado, nem decepcionado, nada. Triste. A atitude demonstrada, o pobre futebol apresentado, a falta de ideias e de vontade de ganhar, deixaram-nos tristes. A única coisa que atenuou essa tristeza foi termos assistido ao jogo com dois adeptos do SCP que, pelo facto de não saberem o nome de 90% dos jogadores da própria equipa, tornaram aqueles 90 minutos num calvário ligeiramente menos penoso. E o facto de os bilhetes terem sido de borla, claro..!

Muitos jogos depois de Setúbal, o FCP apresenta três grandes problemas:

1. Equívocos tácticos e técnicos: a gerência deste café já dissertou sobre a inconsistência do sistema do duplo pivô. A 7 de Dezembro, no jogo com o SC Braga, em casa, PF mudou de sistema. Apesar de não o admitir, avançou Herrera, ficando Fernando sozinho na posição 6 e o FCP deixou, durante 45 minutos, de ser o Paços de Ferreira. Nos jogos seguintes, PF começou à procura de um novo triângulo do meio-campo, percebendo duas coisas: o duplo pivô não resulta e Lucho é um jogador menos influente a jogar a n.º 10, atrás do ponta-de-lança. Lucho é um 8 com uma finíssima inteligência na ocupação dos espaços, o que lhe permite aparecer amiúde em zonas de finalização. A

Porém, ao abandonar o equívoco táctico, PF enredou-se numa série de equívocos técnicos. Com Carlos Eduardo a despontar, quem deve jogar no meio-campo? Fernando-Herrera-Carlos Eduardo? Fernando-Lucho-Carlos Eduardo? E Defour, talvez um dos jogadores mais esclarecidos táctica e tecnicamente dos nossos planteis mais recentes, não joga porquê? E Quintero? De herói em Setúbal a não-convocado?

Mas o erro mais gritante é a insistência em Herrera. Se a nossa política é não lançar estes jovens sul-americanos aos lobos, fazendo-os rodar na equipa B (Iturbe, Quintero, Reyes, Carlos Eduardo, Kelvin, Caballero....), porque é que Herrera é excepção? A falta de intensidade, a bola a queimar nos pés, os sucessivos erros, mais do que justificavam que passasse uma longa temporada a aprender....ontem, foi penoso vê-lo falhar passes atrás de passes... Defour, em 3 temporadas de FCP, não falhou tanto como Herrera apenas na noite de ontem;

2. O nível necessário para jogar no FCP e a responsabilidade de jogar no FCP: se por um lado, o actual plantel do FCP conta com jogadores que não têm o nível mínimo para envergar o emblema do nosso clube, como Licá, por outro, vários elementos da equipa principal não sentem devidamente o peso da nossa camisola. Danilo leva um túnel aos 79 minutos e fica parado, a ver o adversário progredir rumo à área...talvez seja por isso que tantos dos nossos jogadores entram em campo de braços estendidos ao céu, pedindo proteçcão divina para o chorrilho de disparates que se preparam para fazer..


3. A total ausência de fio de jogo e de identidade: durante os jogos do FCP, várias vezes dou por mim, em conversa com fregueses deste Café, a tentar responder à seguinte pergunta – o que é que estes gajos fazem durante a semana? O que treinam? Pior do que os equívocos tácticos e técnicos, mais grave do que haver jogadores abaixo do nível ou sem noção do que é ser Porto, é o facto de, muitos jogos depois de Setúbal, o FCP não ser capaz de apresentar uma jogada, um conjunto de automatismos, um fio de jogo e uma identidade que nos permitam tem esperança de que as coisas vão melhorar.

Ver o FCP jogar, ao vivo, dá-nos ainda uma noção mais confrangedora disto: quando a equipa recupera a bola em zona defensiva e se espera que seja capaz de realizar uma transição ofensiva rápida, objectiva, na qual Fernando coloque em Carlos Eduardo, que Varela abra espaço por um flanco e que Danilo ou Alex Sandro progridam pelo outro, e que ao terceiro toque a bola esteja em Jackson para finalizar, o que invariavelmente vemos é Varela rodeado por dois adversários, Danilo a fazer recepções de bola que envergonhariam um central adaptado a lateral nos distritais ou Alex Sandro a querer fintar quatro adversários até colocar a bola nos pés de algum deles.. Sobre Licá, já nem consigo falar...até tive ilusão de que poderia ser uma mais-valia, mas em jogos como o de ontem é que fica patente que jogar no FCP exige muito mais do que energia e garra..


Destes três problemas actuais do FCP, é este último que me preocupa mais. Já era altura de jogarmos mais e de não estarmos, nesta fase da época, à espera que seja sempre um rasgo individual ou um acaso da sorte a fazer-nos ganhar...porém, parece que à medida que a época avança, o nível do futebol apresentado vai decrescendo...

Mas como o nosso treinador acha que empatar em Alvalade é positivo, estaremos todos contentes.  Na verdade, nem a jogar assim, a equipa sensação desta temporada foi capaz de nos ganhar... 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Coisas que deveriam dar que pensar...

...À administração da SAD, à estrutura do futebol e/ou a quem toma decisões no FCP. Não incluo neste lote o treinador pois este, apesar de "confiar inteiramente nas suas capacidades" (sic), parece ser um homem em negação da realidade, incapaz de impor a sua liderança ou sistema (?) de jogo e, do nosso ponto de vista, atingiu já um ponto de não retorno na sua capacidade de fazer do FCP uma verdadeira equipa de futebol.



                                                            Foto: o Jogo

Para a gerência deste Café, o que tem vindo a acontecer nas ultimas semanas e que culminou com o desaire deste fimde-semana, deve dar muito que pensar a todos aqueles que não se podem conformar com o actual estado de coisas:

1. O FCP passou, em três jornadas, de líder isolado com 5 pontos a terceiro classificado com 2 pontos de atraso. Três jogos em que a mediocridade exibicional que tem caracterizado a equipa não beneficiou da sorte ou do acaso, traduzindo-se em três justos resultados contra equipas que, talvez com excepção da Académica, se encontram no lote das mais fracas da liga portuguesa. E o FCP recebe o Braga na próxima jornada;

2. Ao fim de 11 jornadas, já parecem faltar justificações para o pobre futebol apresentado pelo FCP. Ao benefício da dúvida que sempre devemos dar a qualquer treinador que inicia funções, e que este Café corroborou, substitui-se agora uma enorme interrogação sobre o sistema táctico que o FCP 2013/14 apresenta, com um meio campo desorganizado e à procura  de perceber, tal como todos nós, o que é isso do "duplo pivô", uma defesa que soma a uma apatia e desconcentração invulgares, uma sucessão de erros toleráveis numa equipa de juvenis, e um ataque sem imaginação, sem acutilância, sem objectividade e com  muito poucas soluções dignas desse nome;

3."Errare humanus est, perseverare diabolicum". Muita gente conhece e usa, parcialmente, esta expressão latina que começa por dizer que errar é humano. Porém, poucos a usam na sua versão completa, que afirma que, apesar de errar ser humano, persistir no erro é diabólico ("perseverare diabolicum"). Paulo Fonseca tem persistido em dois erros que, a nosso ver, são fatais:

i) o sistema táctico que quer impor não resulta numa equipa como o actual FCP, e

ii)PF persiste em não o reconhecer, por teimosia, incapacidade ou arrogância. Um treinador que afirma que o FCP actual seria uma equipa perfeita se afinasse a finalização, dou por perdido o tempo que possa passar a compreendê-lo;

O sistema do duplo pivô no meio campo, ie, Fernando + 1 jogador de características "semelhantes" a jogar a seu lado (já foram Defour, Herrera e até Josué!) é contra-natura para uma equipa que joga ao ataque em 90% dos jogos (e não no contra-ataque, como o Paços de Ferreira) e tem um duplo efeito negativo: os jogadores do meio campo não encontram o posicionamento correcto em campo e com isso, além de desprotegerem a defesa, deixando imenso espaço para o adversário atacar (o que ajuda a explicar parte dos inúmeros golos sofridos esta época), também não são capazes de acompanhar o ataque com a intensidade necessária para o apoiar e criar situações de perigo, pois a desorganização entre sectores é tal que não ocupam os espaços necessários. 

Se olharmos para o modo como o FCP de Paulo Fonseca defende e ataca, é confrangedor ver o enorme espaço entre os sectores, a desconexão entre os três, e fica-se sempre com a impressão de que, quer o FCP esteja a atacar, quer esteja a defender, está sempre em inferioridade numérica!! E não vale a pena justificar com as elevadas percentagens de posse de bola: estas resultam, quase sempre, de um domínio consentido pelo adversário e que faz parte da respectiva estratégia (como no jogo com o Nacional!);

4. O desequilíbrio do plantel: como é possível o FCP ter, na sua defesa, um lateral (Danilo) de 16 milhões de euros, um central (Reyes) de 8 milhões que nem convocado é, mas não ter extremos? Num sistema táctico que precisaria de jogadores de qualidade nessa posição, para dar acutilância e rapidez, como é que se achou que Licá, Varela e Ricardo seriam suficientes para uma equipa com as aspirações e o nível de exigência do FCP? Como se deixa sair Iturbe, que mais uma vez, brilha em todo o lado menos no FCP, como não se aproveita Kelvin, como é que a prospecção do FCP só encontra laterais de milhões ou um avançado como Ghilas, que afinal tem um passe de 7 milhões do qual o FCP pagou metade, mas que não joga, mesmo que Jackson esbanje a sua arrogância profissional e competitiva jogo após jogo? 

5. A motivação e o prestígio: tem sido tema recorrente no FCP das últimas temporadas a gestão de expectativas dos jogadores. Diríamos que o FCP é vítima do seu próprio sucesso: as sucessivas vitórias e conquistas, sobretudo na última década,  têm resultado em excelentes negócios em termos de vendas de jogadores, e também num trampolim para que estes mesmos jogadores assinem contratos com salários milionários. Esta realidade tem funcionado como atractivo para que os jogadores queriam vir jogar para o FCP, pois às vitórias alcançadas juntar-se uma montra internacional que permitirá o salto para outros voos. 

Ora, a gestão das expectativas dos jogadores é fundamental para o equilíbrio mental e competitivo da equipa: se os jogadores sentem que podem sair, e se a administração entende que ainda não é o momento (inúmeros casos, desde Deco a Falcao, passando por Moutinho e Hulk), é preciso convencê-los de que vale a pena ficar, por fazerem parte de um projecto que é maior que as vontades individuais, mas que é um projecto de mais vitórias e de mais ambição, que resultará em maior projecção e que isso é benéfico para as aspirações individuais de cada um deles. O caso mais exemplificativo esta época é o de Jackson Martinez: a SAD decidiu, e bem, mantê-lo, mas é notório que o jogador está contrariado e insatisfeito. Longe de o querer desculpar, pois sou daqueles que romanticamente acha que jogar no FCP é recompensa suficiente, acho que, se disseram a Jackson que valia a pena ficar pois o FCP ia jogar a sério na Champions, em ano de Mundial, que ia ter uma equipa competitiva e a marcar golos, ele deve estar a perguntar-se onde está tudo isso agora;

6. O planeamento  e a gestão estratégica do futebol: esta (falta de) gestão de expectativas tem tido casos flagrantes de desvalorização de activos, dos quais Rolando e Álvaro Pereira são os casos mais recentes. Porém, parece-nos que o problema é mais fundo: o FCP tem um plantel desequilibrado e isso resulta também do insuficiente estudo do mercado e das necessidades da equipa. Exemplos? O FCP tem 4 centrais que podem ser titulares, mas não tem substitutos para os dois laterais. O FCP tem Fernando, Defour, Herrera, Josué, Carlos Eduardo, Izmaylov (???) mas não tem extremos. O FCP tem Ghilas, mas não joga. Mas não tem mais avançados. Ainda não há muitos tempo, fizemos uma época com Kléber e Walter como opções....Ninguém pensa nisto? Remendámos, há tempos, com Lucho e Janko, em janeiro. Este ano, consta que Quaresma está a caminho, depois de 6 meses parado...;

7. O sentimento dos adeptos: a gerência deste Café nunca poderá endossar actos de violência e intimidação. Mas a reacção à chegada do autocarro do FCP ao estádio do Dragão ontem deve dar que pensar aos jogadores, equipa técnica e direcção: este cluve não está habituado a conformar-se com mediocridade, exige sempre entrega, dedicação e profissionalismo no máximo. Mesmo quando se perde. E essa entrega não existe actualmente;


8. Ser Porto é olhar para que têm sido as últimas épocas e não aceitar que o clube seja palco de experimentalismos. As três última escolhas de treinador (AVB, VP e PF) foram puro experimentalismo: três treinadores sem qualquer crédito firmado e que serviriam para demonstrar a sabedoria e sagacidade estratégica da estrutura do FCP. Se a primeira correu muitíssimo bem, a segunda escapou ao criticismo mais generalizado pois o FCP foi bi campeão apesar de um futebol pobre e de campanhas europeias fracas. PF, por seu lado, esgotou o estado de graça em tempo recorde (12 jornadas e 5 jogos na Champions): a equipa tem vindo a jogar cada vez pior, o treinador nega as evidências ("o melhor FCP da época" depois do jogo com o nacional) e os jogadores cada vez mais displicentes, sem comando, sem organização.


Pinto da Costa não precisa de provar nada a ninguém sobre o carácter certeiro das suas escolhas: a história do FCP fala por si e confunde-se com as decisões acertadas do Presidente. Mas também se engana. Errar é humano. Mas persistir é diabólico. Saber reconhecê-lo a tempo de salvar ainda esta época seria o sinal de que todos precisamos para ter a certeza de que o ciclo de histórica liderança de Pinto da Costa não acabou. E que a SAD do FCP continua a ser a estrutura profissional e orientada para os resultados desportivos que conhecemos e apreciamos.

Desde 2004/05 que o FCP não estava três jogos seguidos sem ganhar. E todos nos lembramos de como essa época foi única, de tão penosa. Substituir o treinador não resolverá todos os problemas do FCP 2013/14. Mas será um sinal de que alguns destes problemas não atingiram a gravidade que muitos de nós receiam..

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Só estamos no intervalo...

...mas o comentário que ouvi na TSF sobre o FCP desta noite resume o que vai ser esta época: "O FCP é uma equipa desconfiada de si mesma". 

Se a administração decidir continuar com este experimentalismo,  Paulo Fonseca vai conseguir repetir a classificação da temporada passada. 

Mas isto é o Porto. Não o Paços de Ferreira.