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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sobre as verdades oficiais e o orgulho em ser Porto...

Assisti, com o fair-play que caracteriza este Café como espaço de tolerância, à elevação do basquetebol à categoria de desporto-rei em Portugal nos últimos dias. Encontrando-me no estrangeiro, e portanto longe da micro-propaganda quotidiana que entretém o pobre povo, achei, por breves momentos, que a NBA tinha finalmente decidido fazer uma summer-school em Portugal, depois de anos e anos a exportar para o nosso rectângulo as 5ªs escolhas dos drafts universitários.

Depois, lá fui percebendo o oásis que representou a derrota do FCP na final do campeonato nacional desta modalidade...

Li muito, ouvi tudo, não me precipitei, deixei assentar a poeira. O Porto Canal fez o favor de recompensar esta minha paciência, não com quaisquer tiradas propagandísticas, mas com imagens que, como tanta vez sucede, falam mais do que quaisquer palavras.

Estão aqui e dispensam quaisquer referências adicionais.

Ouvir o capitão da equipa do FCP, Nuno Marçal, a narrar com sobriedade,elevação e fair-play, o jogo e os incidentes que se lhe seguiram só reforça o meu orgulho em ser Porto.

Costumamos dizer que ganhar é o nosso destino. Ser diferentes e com classe, mesmo quando não ganhamos, também o é.

Mentiras oficiais repetidas até à exaustão jamais se tornarão verdades para quem é diferente.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Do meu portismo II


Roubando o título de um post anterior do Filipe, e motivado por algum feedback mais clubístico (ou anti-portista) que li recentemente sobre alguns escritos, dou por mim ainda mais motivado para escrever aqui e dar expressão à finalidade que entendo que este blog tem (para mim): afirmar, através deste espaço, que ser portista é, mais do que fervor ou paixão clubísticos, uma certa forma de estar na vida.
Na verdade, o próprio momento que o clube atravessa (uma certa indefinição, resultados desportivos aquém do que estamos habituados..) teria todas as condições para desencorajar a criação de um blog/espaço de discussão/tertúlia sobre o FCP. Teria sido muito mais conveniente escrever sobre o nosso clube e sua atualidade no ano passado, com a  época irrepetível e excecional que tivémos. Teria sido fácil escrever o primeiro post após as meias-finais da Taça ou depois de nos sagrarmos campeões no estádio do 2º classificado e, à época, campeão em título.
Se aquilo que me/nos movesse fosse tão simplesmente a disputa clubística, a afirmação de resultados, a necessidade de atenção e aprovação dos outros, seria precisamente isso que teríamos feito. Sendo eu de Lisboa e conhecendo a realidade de outros clubes, estou certo que seria isso que estes teriam feito, até porque nunca conheceram os feitos e as conquistas a que nós, portistas, estamos habituados.
Mas nós, perdoem-me os mais sensíveis, somos diferentes. Nós não somos Porto apenas quando ganhamos. Nós não somos Porto contra outrem. Nós não somos Porto para embandeirar em arco nas imensas conquistas que temos tido, nem para dramatizar em fatalismos exagerados nas (poucas) derrotas que inevitavelmente, em desporto, acontecem.
Nós somos Porto porque nos identificamos com o clube, com a sua mística, com a sua coesão de grupo, com a sua humildade de não precisar de capas de jornais com golos marcados nos treinos para que os nossos jogadores sintam que pertencem a algo de especial. Nós somos Porto porque temos o clube como modelo - sentimos que quando ganhamos, isso é o resultado e o reflexo do trabalho de um coletivo e de uma estrutura profissionais. E que quando perdemos, não é o sistema dos outros nem circunstâncias excecionais, mas sim porque o coletivo e a estrutura apresentam problemas ou insuficiências, ou porque outros foram melhores. Ou ambos.
Somos do FCP quando ganhamos a Liga Europa ao Braga, a Champions ao Mónaco ou quando somos (bem) eliminados pela Académica na Taça. Ser Porto é estar sempre presente. 
E a bitola alta a que estamos habituados torna-nos mais críticos e exigentes. Na nossa concepção de ser Porto, não joga no Porto quem quer, não treina o FCP quem calhar, não assimila esta mística e esta identidade apenas quem veste circunstancialmente esta camisola. É por isso que o regresso do Lucho ao FCP não tem 1/4 da cobertura mediática da contratação que o 2ª classificado da época passada fez de um ex-jogador do SCP: no caso do Lucho, a simbologia é auto-explicativa. Nunca deixou de ser um de nós. No outro caso, é preciso forjar um simulacro de identidade que, na verdade, não existe. Ou apenas existe quando se ganha.
É por isso que vejo com naturalidade que este blog assuma algumas críticas ao momento atual do FCP e certas opções de gestão e desportivas. Este espírito faz parte daquilo que considero nuclear na identidade portista: estar sempre presente, ter o clube como modelo, mas não alinhar em pensamentos únicos e unanimistas. O que é muito, mas muito diferente do simples exercício de falar mal quando se perde. 
E é por isso que me sinto mais motivado que nunca para, bem acompanhado que estou neste blog, continuar a escrever sobre o clube único a que pertenço

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Do meu portismo

Foi com grande agrado que recebi o convite em participar neste Café das Antas com tão distintos dragões como co-bloggers. Prometo estar à altura das expectativas, acompanhar o nosso FC Porto e escrever sobre esta paixão que nos une.
Começo por dizer que a imagem de fundo do blogue é perfeita para este artigo de introdução, a equipa que em 1987 venceu a primeira Taça dos Campeões Europeus. Essa foi a primeira equipa que eu vi ao vivo no saudoso Estádio das Antas, precisamente na meia-final frente ao Dynamo de Kiev, em que vencemos por 2-1 com golos de Futre e André. Desse jogo, recordo o festejo louco de Futre, típico dos anos 80 com o trepar pelas grades e o punho erguido com o público. Tinha 6 anos e é das primeiras lembranças que tenho da vivência do Portismo. Mas ainda antes disso, com 3 ou 4 anos, recordo o meu avô materno, aos domingos, na sala, de rádio colado ao ouvido, seguindo os relatos do Porto. Saltava com ele a cada golo.
Serve isto como apresentação. Sou portista por razões de família e também pela geografia. Nascido na freguesia da Sé, bem no coração da cidade Invicta, e criado à volta de dragões, não podia, felizmente, dar noutra coisa.
Tenho a sorte de ter assistido a todas as vitórias internacionais do FC Porto, de as ter visto a cores e não a preto e branco. Tenho a sorte de presenciar os últimos 30 anos de futebol nacional e de festejar um domínio avassalador sobre os adversários. Muitos mais foram os altos que os baixos. Mas um adepto, um verdadeiro adepto, sente o seu clube independentemente dos altos e dos baixos.
O Porto não está a atravessar um bom momento, por razões já dissecadas aqui no blogue, mas a força dos dragões tem sido saber lidar muito bem com esses momentos “baixos” para responder com momentos “altos” e duradouros. Agora que se operou uma pequena revolução no plantel e com a derrota de Barcelos bem presente, vamos ver que sinais a equipa vai dar aos adeptos.
De resto, agradeço mais uma vez o convite e afirmo parafraseando um dos grandes “filósofos portista”: o meu coração também só tem uma cor, azul e branco.