Café das Antas

Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

O balanço - Porto 2012/2013

Tri

Finalmente com algum tempo para fazer as contas da época 2012/2013.

Há algumas semanas atrás o campeonato estava longe. Escrevi na altura que esta liga, a cair para o lado azul, seria mais perdida pelo Benfica que conquistada pelo Porto, mas a crueza dos números têm do seu lado a evidência do mérito de que conquista: campeão invicto com apenas 6 empates cedidos.

É certo que o futebol apresentado não conquistou a maior parte dos adeptos, este incluído, mas em dois anos o Porto perdeu apenas um jogo (e contando com o ano de Villas Boas ficamos pelo mesmo solitário desaire).

A aposta no "equilíbrio da equipa" foi total por parte de VP. Se nas competições a eliminar os resultados foram maus, é bom dizer que para o consumo do nosso campeonato essa aposta deu dois títulos em dois.

A vitória ao cair do pano sobre o Benfica foi o momento do ano, Jesus de joelhos no Dragão, a correria de VP a chorar e o pontapé de Kelvin são imagens para a eternidade.


Mas mais importante é que logo após a confirmação do título frente ao Paços, o próprio clube lança a imagem que o define.

O Porto é isto, querer mais, sempre.

Um a um:

Hélton - a solidez é um conceito que, à primeira vista, poderá não ser facilmente atribuído ao brasileiro, mas tem de o ser. Hélton não tem um estilo que eu goste, mas está lá sempre. Sei das falhas que vai tendo, mas depois olho para outros e vejo mais falhas ainda. Hélton é um pilar, tem-no sido nesta equipa há anos. 7 ligas conquistadas, 4 Taças de Portugal, 3 Supertaças e 1 Liga Europa... quem tem mais?

Fabiano - o futuro? Gostei desde o primeiro momento que o vi no Olhanense. Um ano a olhar o Hélton. O futuro dono da baliza? Veremos.

Danilo -  a pior coisinha na equipa. Entendam-me, pior no sentido do que de mau houve este ano. Um defesa direito tem de saber defender. Este não sabe muito. Não falo do que custou ou deixou de custar, isso a mim interessa-me pouco. Não gosto do futebol que tem nas pernas. Muito bem expulso na última jornada, o que vai fazer que pelo menos no primeiro jogo alguém vai ter de lá jogar, espero que seja melhor.

Alex Sandro - craque. Basta isto. Sólido e desequilibrador. Talento não falta. Apenas tem de cuidar um pouco o excesso de confiança que apresenta, mas a verdade é que resulta na maior parte das vezes. De guardar muitos e bons anos.

Maicon - muitas lesões afastaram-no da equipa. É aposta de marketing do Porto. Tem qualidade, mas a concorrência é muito forte.

Otamendi - o patrão este ano. Época de alto nível. Na minha opinião apenas necessita de gerir melhor a impetuosidade do seu jogo. Um dos homens do ano.

Mangala - revelação confirmada. Temo que se vá, é demasiado novo e bom para não chegar um russo com guita para o levar. Tal como Otamendi apenas precisa de gerir melhor a genica. Em forma não vejo nenhum avançado a ter a vida facilitada.

Abdoulaye - burro. Demasiado para ter aspirações sérias em ser carta no baralho. Exemplo típico de que o físico e o talento não chegam para se ser bom jogador. é novo, ainda haverá esperança.

Quiñones - Quem?

Fernando - desde os anos dourados de Costinha, passando por Paulo Assunção, Fernando é a "razão" do domínio do Porto a nível nacional. O ADN táctico da equipa vive dele. Não há muitos trincos assim no mundo. Mais do que qualquer outro jogador, se Fernando sair, um ciclo pode de facto terminar e obrigar o Porto a redefinir o seu tipo de futebol.

Castro - sim o espírito, sim a entrega, sim até alguma qualidade, mas ser preponderante no Porto não me parece. No entanto, um plantel faz-se com gajos assim também.

Defour - óptimo como segunda linha. Época interessante onde foi chamado muitas vezes para tapar buracos de habituais titulares. Não vejo o Porto a viver dele, mas vejo-o como peça interessante a manter.

Moutinho - preponderante como sempre. A vantagem de nunca "jogar mal" é uma mais valia. Não foi sempre o relógio suíço mas foi sempre bom. Vai embora, seja. Obrigado por tudo.

Lucho - impressionante. Em tudo. Foi dos jogadores que mais me surpreendeu. Um pilar e uma época que se acabou bem foi muito devido a ele. Um jogador que já está na história do Porto ao lado de outros grandes. É olhar aos títulos: sempre campeão nacional pelo Porto, em todos os anos que vestiu a camisola. El comandante!

Izmailov - olhem, sei lá. Chegou, deu umas nozadas e depois desapareceu. No fundo como acontecia no Sporting... a diferença é que foi campeão.

Varela - muitas vezes o mal amado, na minha opinião injustamente. É certo que quando não está bem não consegue gerir o seu futebol, mas é injusto pedir que seja o Varela a carregar o Porto. Luta total sempre, e verdade seja dita que nos bons momentos da época é dos que desequilibra na frente. Eu gosto do Drogba da Caparica, da ginga e da bunda.

Atsu - poucos minutos. Velocidade estonteante mas verdinho ainda. Quer ir para Inglaterra. Força.

James - excelente início de época. Depois da lesão foi mau. Não gosto de piscineiros. Talento não falta, mas parece-me que a evolução vai no pior dos sentidos. Boa viagem até ao Mónaco.

Kelvin - decidiu dois jogos fundamentais (Braga e Benfica). Depois de decidir no primeiro jogo escrevi que nunca mais ouviríamos falar dele. Não porque o ache com falta de talento, mas porque não pensei que o VP lhe fosse dar mais oportunidades. Deu-lhe uma mais... e foi tão bom, tão bom que dei comigo a festejar o golo ao minuto 92 virado para uma parede, em silêncio breve antes de dar um grito. Vale pelo golo claro e pelo penteado, mas reescrevo: não ouviremos falar mais do Kelvin... (espero me enganar de novo).

Hulk - ah pois. Jogou no início, marcou uns golos e foi morrer para a Rússia. Uma pena a nível desportivo. Mas bom, ainda foi campeão. Uma última vez na carreira? (como é possível, um jogador daqueles não estar  num campeonato de jeito?)

Liedson - seis meses de muito banco. Pena minha. Não sei como está o joelho ou a cabeça ou o que seja, mas gostava de o ver a jogar mais. Valeu, e muito, por aquele passe para o Kelvin. Obrigado.

Jackson - jogador do ano. A tolada na supertaça, ao melhor estilo da NBA, foi bom prenúncio. Golos e mais golos, e muito trabalho na frente onde jogava sozinho no meio de 4 defesas. Um controlo emocional impressionante, um cabedal de respeito e golos de rara beleza. Um senhor. Cha Cha Cha...

Vítor Pereira - dois anos, dois títulos nacionais. Obrigado. Sem ironias.





Nova palavra de ordem: TETRA.

Terça-feira, 28 de Maio de 2013

O contexto


"O FCP  definiu a sua cultura a partir de 1977. Eles dominam isto, temos de ser unidos, agressivos e implacáveis na resistência.Quando perdemos é porque eles  manipularam, quando ganhamos  é contra tudo e contra todos. Simples. Esta  cultura assenta  numa velha mitologia psico-política.
O pressuposto bioniano do inconsciente  colectivo do Messias e  o fantasma do inimigo externo. Produção: um líder eterno sobredominador e um mandamento indiscutível: não podemos  baixar os braços  por um segundo. Como resultado, o FCP produziu uma cultura homogénea que permite, por exemplo, adaptar jogadores  recém-chegados imediatamente ou integrar adjuntos de segunda linha  logo no início de época  e fazer deles treinadores principais titulados (  aniquilando a treta do “projecto” e da “estabilidade”). É-lhes dado um pacote identitário pronto a vestir, as regras nem se discutem, os objectivos idem. Vencer ou vencer é o brasão."

Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Do FC Porto

Longe de ter o tempo desejado para escrever sobre o Porto como gostaria, remeto-me a um rápido apanhado do que se passou ultimamente com os Dragões. Derrota na final da Taça da Liga face ao Braga. Num jogo muito pobre dos azuis, juntou-se a burrice total de um central que acumula erros atrás de erros também na equipa B, e mais uma vez apresentou um VP refugiando-se na arbitragem para desculpar uma derrota, esquecendo a exibição pesarosa da equipa. Frente ao Moreirense não pude ver o jogo, o resultado continua a manter a (cada vez mais) pequena chama da esperança em renovar o título, mas face também aos resultados do Benfica, é cada vez menos provável que o TRI se torne realidade. O balanço é para se fazer no fim, embora já muito se tem avançado sobre este ano do Porto. Independentemente do que acontecer parece evidente que VP chegou ao fim do percurso no Porto. Mas se calhar mais importante do que isso é perceber que para alguns dos jogadores mais utilizados também esse percurso esteja no fim. O futuro do Porto inspira cuidados. Sim, naquela transição terrível pós-Mourinho, a coisa também parecia negra, mas se acabou por não ser negra, foi porque houve uma revolução muito grande logo a seguir ao desastre Del Neri/Fernandez/Couceiro. Talvez se imponha algo semelhante. É que apesar de haver alguma juventude no grupo da equipa A e B, a qualidade e a consistência parecem deixar a desejar. De qualquer forma, o futebol traz-nos surpresas e há jogo para jogar... ainda. Aguardemos.


Domingo, 14 de Abril de 2013

Vergonha

Lá vai o nosso FCP cambaleando rumo ao final de uma época pouco menos que desastrosa. Infelizmente, os resultados (ou ausência deles) veio dar razão aos que claramente identificaram VP como um gigantesco erro de casting e criticaram as muitas decisões erradas que têm vindo a ser tomadas por quem manda no nosso clube.
Os exemplos são tão obvios... A seu tempo estou certo que aqui no café faremos todos um balanço em detalhe da época 2012/2013.
Do jogo de ontem fica a imagem de um Porto pequeno, banal, sem confiança nem alegria. Sem querer ganhar, sem ideias nem liderança. Um Porto que mereceu perder e que ainda se teve que sujeitar ao embaraço de mais uma conferência de imprensa lamentável do seu treinador. Ontem senti vergonha ao ouvir falar de penalties e árbitros.
Este Porto não ficará na história. Ou melhor, ficará na história como um dos poucos planteis que nada ganhou. Este, que é um dos planteis mais caros da nossa história.
Claro que a época ainda não acabou, a minha esperança reside unicamente na possibilidade de o nosso rival de Lisboa nos oferecer o título, tal como sucedeu na época passada. Provável? Pouco. Mas é o pouco que nos resta neste momento.

Sábado, 13 de Abril de 2013

Muito mais do que um jogo...


A. Competência: 

(infopédia) s.f.

1. qualidade de quem é capaz de resolver determinados problemas ou de exercer determinadas funções; aptidão;

2. capacidade que uma pessoa tem para avaliar algo ou alguém.



B. Curiosidade 

(priberam) s. f.

1. Tendência para averiguar ou ver;

2. Desejo indiscreto de saber;

3. Modo de executar trabalhos que não são da própria profissão.

Na época em mais precisávamos de uma liderança com competência, insistimos no experimentalismo de deixar um curioso, com o seu desejo indiscreto de estragar tudo, conduzir-nos a este desastre.

Citando Lincoln, pode enganar-se uma pessoa durante muito tempo; pode enganar-se muita gente durante algum tempo; mas não se pode enganar toda a gente durante o tempo todo.

O jogo de hoje foi mais do que uma final: foi o fim de um desastre à espera de acontecer, tamanha é a incompetência e a soberba de curiosidade. Basta.

Que sirva de lição também a quem toma decisões no FCP, para que se voltem a dedicar ao clube e tentem que este volte a ser igual a si próprio.





Segunda-feira, 8 de Abril de 2013

Na luta, vários apontamentos

Do jogo com o Braga há a retirar algumas coisas.

- Vitória justa.

- O golo do Alan é o exemplo perfeito para se escrever um livro sobre como não deve um defesa direito defender um lance na quina da área. Prefácio do especialista do ano, Danilo. (isto é uma luta muito minha desde o primeiro lance que vi do rapaz, ainda bem que ele me deu razão na prática, com este lance ridículo).

- O Porto foi igual a si próprio disse VP, pois foi. No melhor e no pior.

- Kelvin ter sido o desbloqueador é a prova que faltava que a carência do Porto (para além de um meio campo curto para uma época inteira com Champions pelo meio) é o excesso de controlo e de posse e de equilíbrio. O Porto deu a volta quando se "desequilibrou" e "descontrolou", foi exactamente isso que faltou nos jogos mais infelizes. O Porto com um bocadinho mais de imaginação não estaria em segundo.

- Na luta, de corpo inteiro sim, mas faltam apenas 5 jogos. 3 em casa para "eles" e 3 fora para nós. Não está fácil. A Liga será por isso ou "deles" ou "perdida por eles". Que seja a segunda que não me importo.

- Liedson, o fato de treino já cheira a mofo.

- Kelvin, até mais.

Terça-feira, 19 de Março de 2013

Do momento

Tal como não não concordei nunca com os acérrimos defensores de VP quando ele venceu o campeonato e depois, este ano já, colocou a equipa numa série de bons resultados, também não embarco no catastrofismo que se faz ouvir nalguns sítios. Agora, olhando para estes últimos resultados não pode haver um portista satisfeito. Ao lado dos resultados o que me aborrece mais é o posicionamento de VP face aos mesmos. Invocar a arbitragem frente ao Málaga e dizer que no ano passado a situação era pior no campeonato é confrangedor. Porque se frente ao Málaga fomos de vela por incompetência, no campeonato fica mal ao treinador relembrar que no ano passado mais do que ter vencido a Liga foi o Benfica que a perdeu. Esperar que suceda o mesmo este ano é sintomático.
De qualquer maneira o paralelismo com o rival até tem ponta por onde se pegar, porque estou genuinamente convencido que o que aconteceu no ano anterior ao Benfica, está a acontecer a este Porto: VP foi Jesus e esgotou os 12, 13 jogadores que foi utilizando.
Escrevi no início do ano que mais que o Benfica com as saídas de Witsel e Javi Garcia, o plantel do Porto me parecia curto e desiquilibrado. É que no Benfica, o estilo Jesus não precisa de meio-campo, o futebol é baseado no balanceamento ofensivo e velocidade, já o Porto com apenas Fernando, Moutinho, Lucho e Defour, tudo jogadores "disciplinados" pareceu-me logo insuficiente. Mas bom, é o que temos, foi o que VP quis e será assim até ao fim.
Escrevo isto com a convicção de que podemos revalidar o título, mas também com o realismo de que algo tem de mudar. Se no ano anterior foi importante a vinda de Lucho para dentro do campo e de Paulinho Santos para o balneário, acho que o segredo da tal mudança neste momento é cerrar fileiras e jogar finais a cada jogo. Até porque Jesus disse que o primeiro a sair da Europa seria campeão, era feio desiludi-lo.


Segunda-feira, 18 de Março de 2013

É o que se me oferece dizer. Tenhamo-la.



 
(latim fides, -ei

s. f.
1. Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.
2. [Religião]  Sentimento de quem acredita em determinados ideias ou princípios religiosos. = CRENÇA
3. Religião, culto (ex.: fé cristã, fé islâmica).
4. [Religião]  Uma das virtudes teologais.
5. Estado ou atitude de quem acredita ou tem esperança em algo. = CONFIANÇA, ESPERANÇA≠ CEPTICISMO, INCREDULIDADE
6. Fidelidade.
7. Prova.
8. Testemunho autêntico dado por oficial de justiça.

Definição da Priberam

Quinta-feira, 14 de Março de 2013

Crónica de um fim anunciado



CRISTINA QUICLER/AFP


Para compreender o que aconteceu ontem, optei por não escrever a quente e assimilar algumas ideias. É uma espécie de "processos" que estou a tentar pôr em prática.

Assim, sendo, esta análise da eliminação do FCP por uma equipa que, apesar de absolutamente banal, nos foi superior na eliminatória, questiona duas ideias fundamentais:


1.      De que jogadores precisávamos ontem e o que eles nos deram?

Para não ser acusado de falar sempre do treinador (já lá iremos, porém), nos dias que passaram entre o jogo com o Estoril e a segunda mão com o Málaga, dei por mim muitas vezes preocupado com o rendimento atual de alguns jogadores e a influência decisiva que isso tem numa fase como esta da época. Destaco os seguintes:

Hélton: espero que seja a última época como titular indiscutível. Parece que estamos sempre na praia, com ele encostado ao poste a tocar violão e a levantar-se para fazer uma defesa de vez em quando. Passa intranquilidade para a equipa e não gosto disso.

Danilo: como o Filipe já o disse aqui, é um jogadorzito. Se é médio e não lateral, ainda é pior, pois revela uma qualidade técnica (recepção, passe, progressão) manifestamente insuficiente para qualquer posição do meio campo. Falha sucessivamente o tempo de entrada na bola, parece sempre desconcentrado e o sentido posicional revela uma gritante falta de cultura táctica. Já passou demasiado tempo de adaptação. O canto que está na origem do segundo golo do Málaga nasce de um lance similar ao do auto-golo que marcou em Braga para a Taça: num caso meteu a bola na própria baliza. Neste, sozinho, cedeu canto. Cada vez mais convencido de que foi um erro de casting.

Alex Sandro: já se afirmou como capaz de fazer esquecer Álvaro Pereira. Porém, sendo brasileiro e não uruguaio, é mais propenso a excessos de craque, exageros de auto-confiança e displicência. Sendo um jogador com características ímpares num lateral (boa capacidade física, apesar de baixo, excelente técnica, capacidade de progressão e atitude para encarar os adversários), noto-o displicente, pachorrento e perdido em alguns momentos do jogo. Mentalidade competitiva: é o que te falta para seres um jogador acima da média.

Lucho: adoro o Lucho. Mas nem quando tinha 27 anos era jogador para fazer 30 jogos completos de seguida como está a fazer este ano. É penoso vê-lo arrastar-se em campo, esforçando-se em dar à equipa a liderança que não tem no banco. Lucho é um dos jogadores mais inteligentes que já vi jogar, em termos de leitura de jogo e escolha das opções a tomar em cada lance, mas não aguenta tudo.

Varela: já muito foi dito e confesso que não percebo a razão desta insconstância. Procura sempre a solução mais difícil, quando é na objetividade e capacidade de decisão que reside a sua mais-valia.

Fernando: desconcentrado, displicente, pouco aguerrido. Com a cabeça noutro lado, de novo?

Moutinho: se estava lesionado, porquê insistir? Para agravar e ficar de fora mais um mês? Precisávamos do melhor Moutinho nesta fase, mas - não por culpa sua - tivémos um Moutinho diminuído, a jogar a medo, sem arriscar por défice físico.

James: podias ter jogado o jogo todo, dizes? Para resolveres sozinho? É certo que vem de uma lesão, que teve uma recaída por ter sido utilizado antes do tempo, mas tem mostrado pouco. Muito pouco.


2.       Qual era o plano que o FCP tinha para passar esta eliminatória?

Vi o jogo com o Zero e perguntámo-nos durante toda a primeira parte: será que a equipa treinou para este jogo? Qual a abordagem? Será que VP previu os vários momentos e incidências do jogo?

Era sabido que o Málaga tinha de atacar, tinha de marcar e que um golo do FCP retiraria ao adversário a força anímica para procurar a "remontada". Assim sendo, sem surpresa, o Málaga entrou balanceado ao ataque, deixando muito espaço para trás - o FCP entrou bem no jogo, fazendo uso dos tais "processos" de posse de bola, mas absolutamente incapaz de ser objectivo na transição ofensiva, de modo a explorar esse espaço disponível e procurar o golo. Cada vez que recuperávamos a bola, invariavelmente a equipa engasgava-se na saída para o ataque. Vejam lá que demos por nós a recordar com saudade o FCP de Jesualdo, equipa que era mestre na transição ofensiva...

Não treinaram isto durante a semana? Que Fernando recupera a bola, mete em Moutinho, que procura Lucho, com Jackson a criar o espaço na frente e Varela a criar os desequilíbrios? É tão difícil assim treinar isso durante dois, três dias?

Isto para não falar do treino defensivo, que tem sido um dos esteios desta equipa: era assim tão difícil prever que Isco tentaria fazer o que fez no primeiro golo? Alguém contou quantos segundos teve para pensar o que fazer com a bola? Até tempo de simular sem adversário teve, antes de chutar!

E a expulsão de Defour? Foi uma estupidez do belga? Foi, parou-lhe o cérebro. Mas parece-me uma atitude de um jogador absolutamente perdido em campo, um jogador para quem o tal ADN, os processos, a identidade não passam de verborreia do treinador nas conferências de imprensa. Não há identidade, nem processos se os jogadores, cada um individualmente e como colectivo, não souberem exactamente o que estão a fazer em campo. E ontem, nenhum sabia, com a excepção de Mangala e Otamendi, talvez.

E depois da expulsão, como se manifestou a preparação táctica do jogo feita durante a semana? Mais um central; deslocando Mangala para a esquerda e fazendo subir Alex Sandro. Então mas o médio não é o Danilo? E foi com três centrais em campo que sofremos o 2-0, de cabeça, na sequência de um canto.

E depois do 2-0, situação que seguramente o técnico previu? Sai Alex Sandro, perdido nos processos novos a meio campo, e entra Atsu, que fez mais em duas corridas do que Varela nos longos minutos que esteve em campo.

E Moutinho lesionado a jogar de início? Para sair ao intervalo, queimando uma substituição quando Defour já tinha amarelo e se previa uma segunda parte de grande desgaste? Eu e o Zero, ao ouvir a flash interview do futuro ex-treinador do FCP de VP no final, apostámos que nos primeiros 30 segundos ele falaria da arbitragem e como isso condicionou a exibição da equipa. Confirmou-se.

Uma equipa de processos, de identidade, sabe jogar com 10, condicionada por amarelos ou não.

Nos últimos minutos, restou-nos esperar pela pontinha de sorte, pelo golpe emocional, pelo pobre do Jackson contra 5 ou defesas, por um rasgo de James...mas isso não acontece sempre, Vítor. E saímos justamente de uma competição onde estes jogadores ainda tinham algo para dar e perante uma equipa que ainda agora deve estar a pensar como foi tão simples uma segunda mão de uma eliminatória dos 1/8 final da Champions.

Este jogo vai deixar marcas para o resto da época. Eu, pessoalmente, já penso na próxima. Sejamos honestos: ninguém acredita muito nisto, que está preso por arames. O maior desafio do clube agora é voltar a saber encontrar gente de qualidade, competência. Com identidade a sério. 

A brincar com a tropa

Acho que este é um clube formidável. Porque só um clube formidável, muito sólido, aguentaria todos os atentados que lhe têm sido cometidos.

Mas mesmo as melhores organizações não resistem incólumes a camadas consecutivas de incompetência. E é chegada a hora de pagar, porque como eu e o meu amigo Nuno bem sabemos há anos, a Liga dos Campeões é a prova de fogo. É a prova do algodão. É o que separa os homens dos meninos. É o que separa os ratos dos homens. Podes andar a enganar muita gente durante muito tempo, mas ali não enganas, e raramente tens uma segunda oportunidade.

Vítor Pereira, um tipo com bons padrinhos que tem as grandes qualidades de saber ficar caladinho e saber moldar as suas ideias às ideias de quem manda, teve a sua segunda oportunidade, algo que já não merecia depois de ter cometido a proeza de perder fora e empatar em casa com o Apoel Nicósia. Mais uma vez, naturalmente, obviamente, desperdiçou-a, como desperdiçará uma espúria eventual terceira que os venais homens da sombra considerem conveniente conceder-lhe.

Chegou a hora de pagar. E pagámos, dolorosa mas tardiamente. É estranho ter de chegar tão longe – porque bem vistas as coisas, sempre é mais longe que no ano passado ou no ano do holandês ditador – para pagar o facto de não haver construção de jogo, mas pagámos. Não temos fio de jogo, não temos futebol, não sabemos o que fazer para marcar golos e ganhar jogos, e isso mais cedo ou mais tarde, subindo ligeiramente o nível de dificuldade, paga-se. Só agora estamos a pagar o facto de os jogadores andarem perdidos em campo, sem nunca estar esclarecidos sobre o que fazer em cada situação, mas isso não é hoje - antes se vai agravando. Só agora pagámos o facto de os jogadores se irem eclipsando de forma, paulatina e inexoravelmente, um a um, mas alguma vez isso teria de acontecer. Só agora pagámos o facto de a cada substituição ordenada do banco a equipa perder geralmente coesão, sentido, tino, equilíbrio ou o que quiserem chamar-lhe. Temo-nos aguentado de forma admirável contra esse ligeiro handicap.

Pagamos o facto de entrarmos com um 11 diametralmente oposto ao das conferências de imprensa ex ante – quanto mais estas são arrogantes e cheias de bravata, mais defesas e médios adaptados a ala aparecem para defender o 0-0 no campo. Pagamos a cobardia, pagamos a falta de coragem, pagamos a falta de estatura para a cadeira de sonho. Pagamos finalmente o facto de nunca se terem visto tantas lesões musculares numa só época no FCP, e também pagamos, para arredondar a conta, as novas lesões musculares provocadas por se utilizarem jogadores desnecessariamente muito antes deles estarem recuperados para jogar (olá James, olá Moutinho).

A justiça tarda mas não falha, mas pagámos e pagaremos por anos e anos de contratações feitas com o propósito primário (e em alguns casos único) de encher os bolsos aos comerciantes de carne branca, que é como diz os negociantes de jogadores. Pagámos o facto de na primeira vez que apertaram a sério connosco, nós termos como opções de banco dois pré-reformados caríssimos que não são deste filme, mais um grande jogador (Lucho) cuja pré-reforma também já não lhe permite meter-se em escaramuças. Pagámos ainda para ver  um guarda-redes em pré-reforma comprovar pela enésima vez o princípio de Peter. Pagámos por sermos obrigados a jogar sempre com um lateral direito de 17 milhões de euros que joga pior que o outro que ofereçemos ao Sporting (a propósito, pareceu-me que um dos laterais malaguetas chegou há dois meses do Paços de Ferreira, mas de certeza que devo estar enganado). Pagámos também, não tenham dúvidas, a falta do espírito do FC Porto, de uma (várias) vozes de comando calejadas em batalhas de infância pela camisola azul-e-branca, de jogadores que sejam dos nossos e não apenas mercenários incapazes de encontrar no fundo deles mesmos forças para se superarem, qual Jorge Costa em Belém ou Pedro Emanuel em S. Siro. 

Pagámos finalmente o desencanto de quem sabe ser esta a derrota dolorosa que tanto vinha sendo adiada, e pagámos o contorcionismo e a cegueira de quem apoia incondicionalmente pessoas altamente danosas para o clube e a sua sustentabilidade desportiva e financeira. Continuem assim. Comprem cachecóis do Vítor Pereira, por exemplo, sempre será mais coerente, tal como ele próprio o é - prometeu que o FC Porto "não sabia defender" e cumpriu, só não acrescentou que também não sabíamos atacar. Alguns no entanto já tinham reparado.

Estamos a pagar um preço alto, porque ele já vem com juros. E há piores notícias: ainda não acabámos de pagar.

Quarta-feira, 13 de Março de 2013

O APOEL e o Málaga



Aqui há uns meses escrevia que...

"nunca gosto de sorteios em que sai o "mais fácil", lembram-se do ano passado e do APOEL?"

...pois é. A ter de perder, antes perder com um "grande" da Europa que com um "outsider". Nem o Málaga nem o APOEL tinham alguma vez chegado a uns quartos de final da Champions, e não devem lá voltar nas próximas décadas. Ambos lá chegaram em parte graças ao FCP.

E em ambos os casos a derrota me deixou especialmente cabisbaixo. Primeiro, porque o FCP jogou muito mal; segundo, porque não havia razão para jogar tão mal assim. O APOEL e o Málaga eram "fáceis", o Porto é que complicou.

Para o ano, antes saia no sorteio o Barça, a Juventus, o Bayern e o United.

Vamos, não, temos de vencer

Há muito para escrever sobre este FC Porto. Vivemos a parte escaldante da época, e muita da definição da mesma em termos de sucesso ou fracasso passa pelo mês de Março.

Não é de hoje que estou preocupado com o rumo que a nossa equipa tem trilhado, não é de hoje que discordo de muitas das opções que têm sido tomadas na nossa equipa de futebol. E sobretudo penso que é por demais evidente, mesmo para os mais encarniçados membros do Clube de Fãs do nosso treinador, que não jogamos bom futebol. Há fogachos... mas mesmo na exibição a que anda tudo agarrado, ou seja a da primeira mão com o Málaga, não jogámos bom futebol. Sufocámos, sim, não permitimos veleidades ao adversário, sim, corremos muito, sim, mas mesmo na melhor exibição que temos para apresentar não construímos bem e não concretizámos bem.

Pior que não jogar muito bem, temos um problema grave de motivação. Na Liga dos Campeões não é preciso motivar os jogadores - nas palavras científicas do catedrático da chiclete, "os jogadores ouvem o hino e começam logo a abanar" -, mas contra os Olhanenses e os Sportings temos problemas. E é a esses que temos de vencer para estar em condições de chegar à penúltima jornada a menos de 4 pontos...

... a não ser que ganhemos a Liga dos Campeões. Impossível não é. Passa por eliminar hoje o Málaga. E o FC Porto tem de ser melhor que o Málaga; é-o na realidade, pelo que só tem de o demonstrar em campo. Hoje nada de desculpas com árbitros, lesionados, "desequilíbrios" ou "processos". Para isso, o ano passado já bastou. Hoje queremos ganhar e vamos ganhar!


Segunda-feira, 4 de Março de 2013

Das oportunidades

O problema neste momento não é propriamente o empate em Alvalade. O problema, para já, foi o empate em casa com o Olhanense. Empatar em Alvalade, estando o Sporting em frangalhos ou não, é um resultado dentro da história e, para não nos alongarmos muito, os clássicos são sempre clássicos. Não é preciso recordar clássicos passados para provar que o momento das equipas conta menos que noutros jogos.
Em Alvalade o Porto foi melhor equipa mas faltou de facto mais genica na frente. Não esquecer que mesmo com a oportunidade do Ricky, o Porto criou jogadas de golo que se não fosse o Patrício tudo estaria igual. Mas é verdade que não estão. E o problema maior é que o rival não desperdiçou a oportunidade de se isolar, coisa que nós desperdiçámos há semanas atrás. Por outro lado, ai da falta jogar muito e não me refiro apenas ao jogo no Dragão com  o Benfica. Acho até que até lá tudo estará resolvido. Sendo realista é justo dizer que a margem do Porto é menor. Assim seja. As críticas a VP entendo-as como as entendo a qualquer treinador, outro assunto é um certo ruído de querer já uma mudança ou um "bem te avisei". VP tem os méritos que tiver e os defeitos que tem. Já aqui escrevemos muito sobre o assunto. Nem tudo pode ser analisado ao sabor do gosto nem dos resultados em si. Mas a escolher, escolho os resultados, que até ver não são maus. Não digo com isto que estou satisfeito ou que me satisfaça o que foi conquistado até agora. Mas há que dizer que há muito a conquistar ainda e isso é o mais importante. Este Porto é o de VP, para o bem e para o mal, resta-nos esperar que seja para o bem, porque, se por um lado, já vimos coisas más, é também verdade que já vimos coisas muito boas.
Uma palavra para o Benfica. Aos soluços ou não, com aquela "onda" histórica que já sabemos, é uma equipa que está a ganhar, e eu não acredito que se ganhe tantas vezes sem mérito. Digo isto não porque fica bem mas por ser verdade. Dois pontos separam duas equipas que ainda não perderam na Liga. O Porto empatou 5 jogos, três frente aos rivais de Lisboa.
A procissão não vai no adro mas ainda há capelinhas a visitar.



ps- Danilo é um jogadorzito, digo-o desde o início. Que eu esteja enganado por favor.

Sábado, 2 de Março de 2013

Um Porto à tua imagem

Sobranceiro, inconsequente, vaidoso, sem ideias. Medíocre. Lento, previsível, pesado, na expectativa. Sem confiança, sem rasgo, sem inspiração. Certinho, mas sem chama.

Este é o FC Porto à tua imagem, Vítor. Os jogos em que assim não foi trataram-se de excepções a esta regra, intervalos do marasmo, apatia e cinzentismo a que nos votaste.

Vai-te embora rápido que não te aguentamos muito mais.

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

Da redenção e outros assuntos

Devido à actividade profissional, foi-me impossível escrever as crónicas dos últimos três jogos. Infelizmente será algo que vai acontecer mais vezes daqui para a frente, e ainda mais infeliz, é aqui no blogue os meus companheiros andarem cada vez mais fugidos. No entanto, farei o que puder para manter actualizado o blogue, pelo menos vinculando a opinião que é a minha.
Após o empate em casa com o Olhanense, o Porto foi a Aveiro vencer e venceu também o Málaga e o Rio Ave no Dragão. Três resultados positivos que mantém a equipa na luta pelos dois grandes títulos da época. A nível interno está visto que a luta é a dois e cada vez mais renhida. Não creio que será um deslize a fazer a diferença, mas um deslize e meio poderá bastar. Por isso, o jogo em Alvalade é extremamente importante. Já na Champions, a vantagem de um golo é preciosa, e mesmo após a demonstração de força da primeira volta, em Espanha o jogo será complicado.
Individualmente destaco Jackson Martinez, marcou nestes últimos três jogos e no último ao bisar alcançou a redenção de ter falhado um penálti. Os números e as exibições superaram todas as expectativas, para além da qualidade que demonstra, o que mais me agrada é o controlo emocional do colombiano. Passa muito tempo sozinho a lutar entre os centrais e nunca perde a concentração. Mesmo em jogos fechados, é de realçar os golos que marca nos últimos 15 minutos, demonstrando esse querer e essa capacidade de sofrimento sem perder a frieza de matador.
A caminhada está a chegar ao fim, mas o mais difícil está para vir.

Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013

Da responsabilidade


Do saudoso Bobby Robson eu relembro sempre um episódio: o Porto empatou frente ao Estrela da Amadora e no fim perguntaram-lhe se tinha perdido pontos ou ganho. A resposta naquele português britânico foi: "Esperemos pelo que vai fazer o nosso rival". O rival era o Sporting nessa altura... e o clube de Alvalade perdeu.
Isto serve para lembrar que o empate horas antes do Benfica não queria dizer nada.
Mas bom, julgo que, da mesma forma que os defensores acérrimos de VP aparecessem a cada vitória, os bota-abaixo desde a primeira hora não perdoam deslize algum da equipa, mesmo quando o deslize, se formos frios na análise, pouco advém do treinador. Na minha opinião foi o caso ontem.
O Porto jogou mais do que o suficiente para vencer, não foi nem de perto uma exibição confrangedora como no início do ano, e é garantido que em 10 jogos daqueles o Porto venceria 9 e empataria 1... pena é que foi o de ontem. Dito isto, não estamos aqui para analisar possibilidades mas antes resultados e o Porto perdeu uma oportunidade de se isolar. Mas é certo, que mesmo Mourinho não marca penáltis nem finaliza as jogadas de ataque.
Esta é a minha opinião, eu que nem sou adepto de VP em especial, mas que também não acho que ontem o homem teve responsabilidade no empate. Isto dos treinadores o adepto, já o escrevi, joga com os resultados e a dinâmica e as simpatias e o acordar bem ou mal disposto. as críticas a fazer a VP devem ser feitas, os elogios devem ser dados e siga a procissão. A mim parece-me exagerado condenar o homem como me parece exagerado dizer-se que é um treinador de topo. Vamos vendo, vamos indo e, sobretudo, vamos apreciando.


Ontem o Porto cometeu um ou outro erro defensivo, criou oportunidades de sobra para ganhar e acabou por empatar.
Individualmente houve jogadores que não estiveram tão bem, houve outros que estiveram até bastante bem.
Foram dois pontos perdidos sim, mas se alguém pensava, sobretudo os defensores, que até ao fim ia ser um passeio, desenganem-se, tal como os detractores se desenganem se pensam que esta equipa não está bem e pode aspirar a coisas boas, porque pode.
Eu percebo a exigência e percebo a angústia de alguns, mas o Porto não nasceu ontem, tivemos anos bem piores, anos bem melhores, o certo é que nas últimas décadas os anos foram de bons para cima. As excepções existiram e é normal, que isto é um jogo e jogam outros, que por muito que nos custe, têm armas de valor.
Ressalvo: não sou um grande adepto de VP mas o empate de ontem, na minha opinião, não é resultado de VP. Espero ter-me explicado, porque é óbvio que no geral a responsabilidade é sempre de um treinador, mas não se escreve num blogue ou em qualquer outro sítio para dizer generalidades, acho eu.

Eu também queria muita coisa

“Agora finalmente a equipa está como eu quero”, disse o grande timoneiro após uma vitória confortável em Guimarães. Ninguém questionou porque é que demorou 20 meses para um treinador de futebol criar uma equipa do FC Porto que jogue bem e goleie a filial do clube do regime (o nosso ponto de partida não era exatamente uma equipa em cacos mas sim a máquina trituradora de Villas-Boas); pelo contrário, o comentário foi levado a sério e serviu não apenas para o treinador roubar qualquer tipo de mérito aos jogadores, mas deu  também luz verde para os acólitos do profeta saírem à rua e anunciarem a boa nova: Vítor Pereira, afinal, é um magnífico treinador de futebol. Nós, os que todos os dias esperamos (mais ou menos em vão) que o FC Porto jogue em grande, domine, ganhe e cresça ainda mais, é que teimamos em não o entender: ele é o homem certo no lugar certo.

É a minha equipa, é o que conta acima de tudo, e o seu destino é agora indissociável das qualidades de VP – logo, muito eu gostava que isto fosse mesmo assim e que o homem fosse o melhor do mundo desde Bobby Robson. Mas a realidade tem esta mania irritante de vir sempre ao de cima: neste caso, aconteceu mais cedo que tarde – e na oportunidade seguinte de mostrar uma equipa à imagem do seu treinador, demonstrando alguma consistência, perdemos ao invés dois pontos preciosíssimos em casa contra o Olhanense. Com mais uma exibição ingénua, trapalhona e sem nexo, de futebol cheio de vontade mas jogado sem qualquer discernimento ou ideias claras sobre a melhor forma de contornar o adversário. Ou seja, o habitual. Em vez de ganhar fôlego e alento para a fase difícil que vai começar agora, voltaram as dúvidas. Não basta dizer que se quer uma coisa para que ela aconteça.

Tenho dito entre o meu círculo de amigos que acredito que o FC Porto será campeão se o outro candidato chegar ao Dragão, na penúltima jornada, com três pontos ou menos de avanço – porque acredito que no confronto direto, a ser mesmo necessário, venceremos esse jogo decisivo. Mas também digo que estou muito preocupado, porque o FC Porto tem muito mais tendência a perder pontos estúpidos pelo caminho que o clube do regime. O jogo de hoje reforçou a minha convicção, porque alguma vez teríamos de pagar pelos erros de planificação que vamos acumulando. Refiro aqui alguns – só de passagem, mesmo que cada um destes quase justificasse um artigo por si só:

A estado lastimável do nosso (segundo esta época) relvado já provocou directamente pelo menos duas lesões (James, obrigado a voltar contra o Nacional quando ainda não estava curado, e que assim nos deixou órfãos para tantos jogos cruciais da época; e Varela, hoje, que escorregou e se lesionou no momento em que fazia um cruzamento perigosíssimo) e incontáveis oportunidades falhadas (das quais a mais óbvia o penalti falhado hoje).

Os dois piores jogadores em campo foram as nossas compras sonantes de mercado de inverno, Izmaylov e Liedson, ambos antigos jogadores do Sporting na década passada, e ao arrepio de todos os nossos padrões de contratação tão elogiados no passado (jogadores baratos da liga portuguesa quando não tínhamos dinheiro; sul-americanos jovens para rentabilizar, quando o passamos a ter). Espero mesmo que um dia estes dois novos dragões não sejam considerados case study de elevado custo de oportunidade – dado que para termos aqueles, faltam-nos dois jogadores que podiam eventualmente ainda ter joelhos. Nomeadamente poderíamos ter extremos em vez de jogar num apenas teórico 4-3-3 em que toda a gente está concentrada na faixa central do terreno – e será isso tão estranho quando temos que jogar com Sebá e Tozé nas alas? Bruno Gama, Ukra ou até Targino (!) seriam neste momento mais úteis (nem falo de Quaresma).

E finalmente, o embandeirar em arco – é muito bom ter orgulho e a do FC Porto é a única camisola que eu visto, exatamente por um grande orgulho nela. Ao mesmo tempo, uma das razões que sempre me fez identificar com este clube é uma certa cultura da excelência, do trabalho, e porque não dizê-lo, uma certa humildade. Ou pelo menos, a ausência da arrogância e da bazófia características de clubes ridículos (vocês sabem de quem estou a falar) ou de outros clubes europeus como o Madrid, o Bayern, o United ou a Juventus. Ora, isso está em risco, e numa altura em que nada ganhámos e tudo está muito em aberto, tenho já ultimamente visto muita garganta vinda dos nossos lados, assim como grande destaque a profusos elogios vindos de hienas que só nos querem mal. Isso também se paga com empates em casa contra o Olhanense.

Domingo, 3 de Fevereiro de 2013

«Demorou, mas a equipa está como quero»

Nunca gostei do actual treinador do nosso clube e, como tive oportunidade de aqui escrever várias vezes, no que dependesse de mim,  há muito que VP não estaria sentado na "cadeira de sonho".
No sábado, após o jogo em Guimarães, ouvimos VP a dizer que "Demorou, mas a equipa está como quero".
Esta é, para mim, a frase que diz tudo sobre o actual momento do FCP.
Demorou, inegavelmente demorou. Mais do que a minha paciência aguentou, mas o facto indesmentível é que o FCP chega a Fevereiro num pico de forma nunca antes visto e, aos meus olhos, dificilmente antecipável há um ano atrás.
Creio também que este fenómeno só poderia acontecer num clube como o FCP, porque quando se percebeu que não havia química entre treinador e equipa, decidiu-se dar ao treinador outra equipa e não, como normalmente se faz, procurar outro treinador.
Diz-se no futebol: "fica mais barato despedir um treinador do que os jogadores", pois no Porto saíu Fucile, saíu Cristian Rodriguez, saíu Souza, saíu Rolando, saíu Iturbe.. Alguns deles por razões ligeiramente diferentes, admito, mas foi feita uma renovação de equipa, coisa que em 99.99% dos clubes não aconteceria.
O FCP , apelidado em tempos e com muita propriedade pelo Filipe, de "Barcelona de trazer por casa" é hoje uma equipa que se impõe com o estilo rolo compressor: empurra, empurra, empurra até que a outra equipa cometa o primeiro erro. Isso consegue-se com pressão, força física, extrema organização táctica e vontade. O Porto mostra tudo isso. Dir-me-ão: "contra o Gil Vicente e Guimarães...". É verdade, mas recordo apenas que começamos esta liga precisamente a perder pontos em Barcelos e que, sobretudo, muitas vezes o Porto perdeu pontos com equipas "pequenas". E quando não perdia pontos, muitas vezes miraculosamente, o espectáculo era pouco mais que suporífero.


Se estou rendido a VP? Não, continuo a não gostar do estilo e do discurso do espinhense.
Se estou rendido ao futebol do Porto de VP?  
Sim, estou convencido que esta equipa irá muito longe.
E isso é o que conta.

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Galo, no churrasco

Sem apelo nem agravo. Numa das melhores exibições da época o Porto goleou o Gil Vicente por 5-0. Podemos começar, precisamente, pelo adversário. Depois de na primeira jornada ter feito, frente ao Porto um jogo de entrega total, os galos ontem nem respiraram. É certo que o Porto não deu grandes hipóteses, mas convém dizer que os de Barcelos foram muito pequeninos.
O Porto, por outro lado, tem entrado muitíssimo bem nos jogos, algo que faltou a dado momento este ano, e conseguindo materializar com golos essa entrada, faz o que quer da partida, controlando o espaço e o ritmo de jogo como ninguém. Há que dar o mérito devido a VP, que podendo ou não concordar-se com algumas coisas, quando a coisa corre mesmo bem, o futebol de que ele gosta é, para isto e neste cenário, perfeito.
Não há muito a dizer quando o resultado e as estatísticas falam por si. 5 golos, uma posse de bola a fazer lembrar um clube catalão, e um total controlo emocional da partida.


Eu que tenho vindo a falar mal do Danilo, não posso deixar de enaltecer o golo e uma exibição mais agradável aos meus olhos, mas é óbvio que deste moço espero mais e não é em casa frente ao Gil. Mas jogou bem, marcou o primeiro e participou muito neste passeio. Aliás, tirando um Mangala a facilitar um pouquinho e um Defour inicialmente a falhar muitos passes, individualmente, todos os moços fizeram pela vida. O Belga aliás, abriu o livro a meio da primeira parte e foi estranho ter sido ele a sair, quando um Moutinho poderia ter descansado (precisará?) ou um Lucho (cada vez mais a ganhar um lugar nos melhores exemplos de grandioso jogador a passar por Portugal). Varela reencontrou-se com os golos, Ottamendi forçou um auto-golo, ele que nas últimas partidas falhou dois golos de baliza aberta, Jackson não baixou nunca os braços e mereceu o golinho da praxe, confirmando uma primeira época a todos os níveis excepcional. Houve tempo para Izmaylov jogar mais tempo e mostrar-se mais solto de movimentos, Sebá também teve oportunidade de assistir o colombiano e mostrar um pouco mais, Castro rendeu Fernando e pôde juntar uns minutos, enfim, foi uma noite tranquila com golos suficientes para colocar o Porto na liderança passando o SLB em diferença de golos. Isto dos golos, ninguém acredita que possa vir a ser mesmo decisivo, mas a verdade é que nunca se sabe.


Com a chegada de Liedson, a recuperação de James e Maicon, VP começa a ter opções de peso e escolhas a fazer que podem ser importantes. Aproxima-se uma altura crucial na luta pelo título e a Liga dos Campeões pelo meio. No fundo, é isto que se quer.


Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

Do Sado

Os números enganam um pouco, mas no essencial a vitória do Porto é justa, importante e repõe as contas em dia numa liga que, claramente, tem duas equipas acima de todas as outras, terminando ambas sem derrotas a primeira volta.
Os números de ontem enganam porque nem o Porto merecia três golos, nem o Setúbal merecia duas expulsões... merecia três ou quatro (embora facilmente admita que a expulsão por simulação não faça muito sentido). O Vitória passou o jogo todo a dar porrada e há três entradas claras para vermelho, uma sobre Alex Sandro, outra sobre Varela e uma sobre Moutinho. José Mota bem pode assobiar para o lado mas o carapuço serve-lhe na perfeição.


Agora, também é certo que o Porto não jogou o suficiente para merecer vencer por três. Curiosamente até entrou, uma vez mais, bem no jogo. Marcou cedo e poderia ter feito o segundo logo a seguir. Mas dois ataques perigosos de Meyong pareceram abalar a equipa e até ao meio da segunda parte, o meio campo do Porto teve muitas dificuldades. Primeiro porque Moutinho não foi o Moutinho habitual, Defour andou sempre longe da bola na posição 6 e Lucho, muito desapoiado não tinha o passe acertado. Na frente, Kelvin perdeu mais uma oportunidade para mostrar serviço, foi alvo de marcação cerrada, especialmente pelo defesa esquerdo que fez umas 10 faltas, mas isso por si só não justifica. Varela também não esteve muito feliz, esforçado mas a escorregar ainda mais vezes que o habitual. Jackson fez dois golos e lutou do início ao fim, a quase certa vinda de Liedson não parece afetar-lhe e ainda bem.
O banco de ontem era pobre e apenas realço o regresso de Maicon. Sebá e Castro nada de muito diferente trouxeram ao jogo.

Como já disse, o balanço da primeira volta é positivo. Três empates não belisca em nada o percurso. Está visto que a corrida é a dois e que deverá jogar-se por muito pouco.
O Porto, com Izmaylov e o provável Liedson, o regresso de Maicon e Atsu (este mais tarde), terá mais opções para esta segunda parte da época. Haverá Champions e Liga ao rubro, a margem de erro é pequena e VP terá aí a sua prova de fogo.

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2013

Do estilo

A vitória sobre o Paços foi a 8ª em outros tantos jogos em casa para a Liga. É sabido da importância dos pontos em casa na conquista de um campeonato e este Porto não tem perdoado.
Mais, a vitória foi mais que merecida e VP com as declarações na conferência de imprensa (bem mais importantes que as do clássico) definiu bem o que pretende e o que gosta. A partir de agora não existem mais dúvidas.
O Porto terá feito os primeiros 10/15 minutos mais interessantes da época, apenas faltando o golo. Mais do que a atitude, foi o acerto e velocidade colocados em prática que apreciei. Faltou o acerto. Passado esse período o Paços também cerrou um pouco mais os dentes e, apesar do controlo do jogo, apenas cedido numa jogada perto do intervalo, o Porto abrandou e entrou no ritmo pastelento que tenho criticado mas que VP ostenta como sendo estilo próprio de uma equipa paciente e equilibrada acima de tudo o resto. Não é o futebol que eu gosto, acho-o aborrecido e eventualmente perigoso, mas é o futebol que o treinador implementou e que tem dado os seus frutos, verdes ainda é certo, mas a colheita mais a sério não tarda, e aí se verá se é ano Vintage ou não.


Como disse, o Paços, 4º classificado parecia equipa de manutenção, há mérito do Porto sim, mas cada vez mais as equipas encolhem-se para lá do razoável, sobretudo mantendo as estratégias quando já perdem. Individualmente vou apenas referir-me a alguns. Primeiro Danilo porque é o jogador que menos gosto neste momento. É um pouco mania minha e por isso, espero que não hajam comentários fora de propósito, a ver se me explico: acho que Danilo tem de mostrar muito mais do que tem feito até aqui. Defour fez um bom jogo, mostrando que é um jogador que VP não poderá descartar; Lucho apesar de não estar com o acerto nos pés a 100%, tem feito quilómetros e quilómetros; Varela também a mim não me pareceu bem, mas o trabalho que fez teve a sua importância; Izmaylov fez um bom golo embora repita o que escrevi na semana passada: parece-me preso por arames, espero que seja mesmo só condição física.


Quarta-feira acerta-se calendário, jogo muito importante sem margem para erro.

Domingo, 20 de Janeiro de 2013

Já marca!


Depois de ter marcado 4 vezes ao FCP, Marat Izmaylov estreou-se esta noite a marcar com a camisola do nosso clube.

Objetivamente, é uma mudança positiva. Se não o podes vencer, faz com que ele se junte a nós com um contrato de dois anos e meio.

Confesso que não sou grande entusiasta desta contratação/troca, pois tenho sérias dúvidas sobre a condição física do rapaz, agora com 30 anos. Porém, ele próprio garante que não está habituado "a jogar a este ritmo" e o treinador (?) assegura que ele vem "com o estigma de ter de fazer grandes coisas".

Veremos, benefício da dúvida concedido, quanto mais não seja por achar que há, de facto, algo de especial no talento deste russo. E que nós precisamos desesperadamente de soluções para o meio-campo, com capacidade de entrar de caras na equipa..

Sobre o jogo, ganhámos bem, sem James, sem avançado suplente, sem Varela, com um Defour que me agrada cada vez mais, com um Mangala que se impõe, mas acima de tudo com uma atitude inicial que, apesar de não ter rendido golos na primeira parte, pôs o atrevido Paços em sentido, com o FCP a dizer alto e bom som: "Tonight, we mean business".

E é nesta atitude que residirá, em minha opinião, a nossa capacidade de ganhar este campeonato.

Contratar um ponta-de-lança e um extremo darão a ajuda que falta.


Ao Filipe a análise mais técnica do jogo.

Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013

Do clássico

Deixo aqui o que escrevi no blogue FutLOL sobre o clássico. Não é propriamente um artigo dirigido para o público aqui da casa mas tem alguma coisa que poderá interessar. Já que isto anda muito parado, decidi apenas colocar o link e não escrever de raiz aqui no Café como tenho feito.

Do Clássico



Curiosos são estes tempos.

Comecemos pelo jogo. Clássico quentinho, renhido com um resultado que não choca. Isto será o que fica e é importante, mas não será o mais importante. Certo é que esta liga é mesmo jogada a dois, Benfica e Porto vão disputar o título. Até quando não se sabe bem, embora poder-se-á dizer que vai ser até ao fim ou próximo dele. Ou então, será disputado até um deles ceder, o que bem vistas as coisas, poderá acontecer mais cedo do que se espera, porque está visto que será emocionalmente que as coisas se vão decidir.

Uma coisa parece-me clara, o Porto é mais equipa que o Benfica. Isto não quer dizer muito, quer apenas dizer, que os dragões são mais coesos e melhores (calma) nestes jogos "a sério" do que o Benfica. a questão está, em que a Liga decide-se em muitos jogos, e nesse campo, continuo a dizer que me parece que o SLB é mais capaz de ganhar jogos do que o porto. Capaz pelo futebol que tem, que é um futebol mais de coração e de ataque desenfreado, ao contrário do Porto, que joga mais pensado, mas trabalhado. Não se exaltem já os que lêem apenas o que que querem ler. Acho que estou a ser claro: o Porto é melhor nestes jogos, mas poderá não ser melhor a longo prazo que é o que interessa nestas coisas. Veremos.

O que VP disse no fim do jogo está certíssimo: a arbitragem prejudicou o Porto e o Benfica jogou um futebol direto. Muitos indignaram-se, mas poucos pelas razões certas. Sobre a arbitragem era bom que houvesse boa fé e fazer aquele exercício complicado que é colocarmo-nos no lugar do adversário. Basta para isso, nos lances que VP identificou fazer de conta que os jogadores envolvidos tivessem as camisolas dos outros e então julgar os lances e conceber o que diria o Benfica se fosse ao contrário. este exercício é válido para todos os jogos, para todas as equipas. Tentarei fazer o mesmo, gostava que, falando neste jogo, os benfiquistas amigos do FutLOL fizessem o mesmo. Vá, experimentemos. E digo mais, esqueçamos os fora-de-jogo, fiquemos pelo lance do Matic e pelo lance do Maxi. Pronto, nada de mais, eram expulsão.
Dito isto viro-me para VP.

VP no que disse tem razão mas não me interessa. Primeiro porque o jogo na segunda parte foi desperdiçado pelo Porto. Mexeu mal e tarde e a posse de bola, ou o jogo apoiado de pouco serve se não se marcarem golos. Esse é o real problema de VP: demasiado fiel à sua ideia de jogo, aos seus planos, no fundo à arrogância do conhecimento, em detrimento do que realmente interessa em futebol: o resultado. VP tem valor, mas tem defeitos. Quando falava de Jesualdo eu dizia o mesmo. Perito na montagem de uma equipa e de um modelo de jogo mas incapaz de um exercício de criatividade quando o jogo assim o pede. e com isto chego às críticas de VP ao jogo do Benfica. Que tem ele com isso? Que lhe incomoda o jogo direto ou de segundas bolas no adversário? Que zanga é aquela? eu sei o que é. É o fato de ter funcionado. O Benfica acabou por ser menos arrogante no jogo, percebeu que o Porto estava melhor e adaptou-se, protegeu-se, e com um bocado de sorte até tinha ganho. VP pelos visto acha que o futebol é apenas o mérito pelo mérito, e não a luta, a esperteza e a adaptação em tempo real.
O Porto não ganha o jogo por várias razões mas nenhuma delas é falta de sorte.

Como portista foi isto que me interessou, fiquei contente porque foi demonstrado que o Porto não perdeu o que tem acumulado nas últimas décadas, uma forte experiência emocional para este tipo de embates e que quase sempre responde presente, mas fiquei desapontado com o fato de não ter sabido gerir duas vantagens e sobretudo, não ter havido coragem na segunda metade para espetar a faca num Benfica que estava com medo e a despachar bolas. Esperou-se em demasia, lançou-se um russo que está fisicamente de rastos (perde uma bola no lado esquerdo ofensivo, que para quem jogou à bola é sinal óbvio que ou está numa forma miserável ou está mesmo lesionado), esperou-se por uma expulsão que não veio e lançou-se um central no últimos minutos.

Mas bom, ainda falta muito e para o Porto o jogo é passado.

Mangala tem feito grandes jogos, ontem deu mais nas vistas mas tem sido assim.


Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013

Vésperas de clássico

Terceiro jogo com o Nacional esta época, terceira vitória. Das três esta terá sido a mais importante. Uma foi para a Taça onde já não estamos, outra para a Taça onde ainda estamos mas cujo peso é menor, e agora esta última para a Liga, a taça que conta mais e cuja revalidação vai ser difícil.
O Porto dominou toda a partida. É certo que o jogo não foi brilhante, que a espaços o Porto insiste na lentidão e no mastigar do jogo, mas o controlo da partida foi total e pode dizer-se que um golinho a mais nas contas finais não ficava nada mal.
Há um jogo na quarta-feira em que VP rodará muita gente, a curiosidade prende-se na posição 9, onde Jackson saiu a coxear e Kléber tem sido coxo desde o início para além de estar lesionado. James em dúvida para a Luz também é uma dor de cabeça acrescida, não só pela qualidade que o moço tem, mas sobretudo porque olha-se para o banco do Porto e não se vê opções que garantam a qualidade exigida para um clássico como o do próximo domingo.
O jogo da próxima jornada não é decisivo, mas também o é. Ninguém pode garantir que as coisas na Liga se resolvam ainda longe das última jornadas, mas eu acho que quem chegar à fase dos jogos das competições europeias na frente da Liga será campeão nacional.

Do interesse no Reino do Dragão houve a saída de Miguel Lopes e a chegada de Izmailov. O primeiro sai e de novo o plantel desequilibra-se em opções, se faltar Danilo (que não me entra no goto), ter-se-á mais uma vez que adaptar alguém, a vinda do segundo aumenta o talento e o poder de desequilíbrio do meio-campo, restando apenas saber como está o homem fisicamente.

Domingo, 30 de Dezembro de 2012

Dos planteis

Discutiu-se no início do ano a suposta fragilidade do plantel do Benfica, sobretudo após as saídas de Witsel e Javi. O Porto, apesar de ter perdido Hulk, não parecia ter ficado tão fragilizado. E no entanto...
No entanto, na minha opinião, o Porto está neste momento bem mais frágil em termos de soluções do que o rival. VP já admitiu que não gosta de planteis grandes, mas este é curto de mais. Só a nível dos centrais vejo opções suficientes e com qualidade, no resto das posições de campo há lacunas. No meio campo Defour e Castro não chegam para render com qualidade as outras três peças. Nas alas, por muito que tenhamos boa vontade Atsu, Kelvin, Iturbe (já vai emprestado) e mesmo Varela, são jogadores irregulares e que apenas podem servir aqui e ali. Resta James, esse sim craque, mas não é um ala puro. Poderá compensar num lugar de meio-campo mas não temos visto isso acontecer a não ser como recurso. A nível de laterais é bom ter Miguel Lopes, acho-o um bpom suplente, mas acho, neste momento Danilo um mau titular. Muitos erros defensivos para tanto dinheiro. Precisa de render muito mais do que aparecer de vez em quando contra um Nacional da Madeira. Do lado esquerdo, faltando Alexsandro, joga-se com Mangala, está tudo dito.
Problema maior: pomta-de-lança. Jackson e mais ninguém. Kléber queimado e queimando-se, lesionado e caído em desgraça não entra nas contas, se o colombiano se lesiona/esgota/perde o problema é muito maior do que no ano passado onde Hulk fazia de 9 e íamos disfarçando.
Conclusão: estamos a chegar a meio da época desportiva, falta um clássico importante mas que não será decisivo, o que vai ser decisivo é o rescaldo desse jogo e o estado em que as equipas vão entrar em Fevereiro, e para isso, as opções do banco e do plantel serão fundamentais.
 
Ah sim, o Porto jogou hoje contra o Estoril. Empatou, e bem pelo que se viu. Já agora, Jackson saiu ao intervalo...

Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Oporto: La constante reinvención sudamericana

A Marca traz hoje um curto texto sobre o nosso "Oporto", necessariamente visto de fora.
Injusta para o Hélton, o que prova que um perú na Champions vale muito mais do que mil enormes defesas na nossa liga caseira. A questão da visibilidade...
No resto reconheço um retrato real, embora também confesse, como já aqui escrevi, alguma frustração com este Porto sul-americanizado e portanto "desportuguesado" ou melhor "desportoado"...
Dito isto, venha o Málaga, somos favoritos!