terça-feira, 5 de abril de 2016

Fim. Sem novo início?

Sou portista há mais de 30 anos, desde que nasci em 1980.

Assisti às maiores glórias e conquistas que um clube português (e europeu) logrou alcançar (quantos clubes na Europa se podem orgulhar de ter sido duas vezes campeões da Europa e do Mundo!?).

Vivi alguns momentos menos conseguidos, como o pré-Mourinho, com Octávio, e o pós-Mourinho, com Del Neri, Fernandez e Couceiro (!!), este último escolhido porque tinha uma gravata bonita oferecida por Pinto da Costa.

Pinto da Costa é Presidente do FCP desde 1982, pelo que nunca conheci outro Presidente, nem outro estilo, nem outra cultura de clube. Fez muitas apostas de risco que ganhou (Villas-Boas à cabeça, no passado recente), o que – aliado à instabilidade e pouca competência dos rivais mais diretos durante vários anos – permitiu que vários erros de casting pudessem ter a complacência dos adeptos. Normalmente, a uma aposta falhada, seguia-se um rasgo de genialidade, um fulgor e uma sede de vitórias que são apanágio do FCP

O D. Pedro IV resumiu bem o que é (era?) esta cultura do FCP: o FCP produziu uma cultura homogénea que permite, por exemplo, adaptar jogadores  recém-chegados imediatamente ou integrar adjuntos de segunda linha  logo no início de época  e fazer deles treinadores principais titulados (  aniquilando a treta do “projecto” e da “estabilidade”). É-lhes dado um pacote identitário pronto a vestir, as regras nem se discutem, os objectivos idem. Vencer ou vencer é o brasão."

Infelizmente para Pinto da Costa, ele mudou e o mundo também. Ele, para pior. O mundo evoloui e os rivais são hoje muito mais fortes do que eram.

Dedicaremos os posts seguintes a procurar analisar as várias causas para a penosa situação em que o FCP se encontra. Para já, e após a sucessão de erros de amador das últimas épocas (Lopetegui e sua incompetente soberba, a que se somam decisões como Adrian Lopez, Marega, Angel, Marcano, Imbula, Marega, etc etc etc…), deixamos apenas esta nota: não consigo ver como é que Pinto da Costa, preso pela teia complexa de interesses e de incompetência que o rodeia e tolhe, conseguirá reinventar-se para devolver o FCP ao nível de competitividade que lhe permita, pelo menos, lutar por títulos.

Pessoalmente, não acredito nem vejo como o possa conseguir. Durante muitos anos, temeu-se pelo que aconteceria ao FCP quando Pinto da Costa acabasse e saísse. Terá sucedido pior? Pinto da Costa acabou e não saiu?

4 comentários:

  1. É bom ver o Café aberto de novo...apesar de tudo.. :/
    Abraço!

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  2. De facto, bom ver o café aberto. Gostei de te ler BP. Volto com mais tempo para os meus 50 cents...

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    1. Era bom. Fazes falta e o momento exige-o.

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  3. De facto, bom ver o café aberto. Gostei de te ler BP. Volto com mais tempo para os meus 50 cents...

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