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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A crise e o FCP

I - As coisas correm mal por cá...

Normalmente não se associa a política a futebol (há, evidentemente, muitas excepções). Costuma-se até olhar para o futebol como uma ilha separada do resto do mundo; certamente que os jogadores de futebol não têm de se preocupar com a austeridade.

Mas a crise afecta toda a gente, incluindo o FCP. A austeridade ainda está para durar pelo menos mais uns anos. Algumas medidas têm impacto directo sobre as contas de um clube de futebol (por exemplo, o aumento do IVA dos bilhetes para os jogos). Há outros efeitos indirectos:

-as pessoas cada vez têm menos rendimentos, e vêem-se obrigadas a cortar nas despesas; quotas de sócio, bilhetes para o futebol, 'merchandising' dos clubes, tudo isso é das primeiras coisas  onde se corta

-a carga fiscal aumenta, e isso é menos dinheiro para o clube (apesar da redução recente da contribuição para a Segurança Social, que numa empresa com a estrutura de custos do FCP até deve ter um impacto razoável)

-para os clubes mais pequenos, os apoios do Estado (autarquias/ regiões) cada vez vão ser menores. Isso já resultou em muitos clubes que, de uma forma ou de outrafaliram. Isso é mau para o FCP: significa ainda menos concorrência a nível interno, a "Escociazação" da liga portuguesa.

-as grandes empresas também têm de cortar nos orçamentos, e isso inclui os patrocínios.

-há o risco da elitização dos adeptos - só vai ao estádio quem tem dinheiro, só há bola na TV para quem pagar.


II - ...e isso vai ter impacto na Europa

Pode-se argumentar que o FCP hoje é um clube mais europeu que português - e que a principal fonte de receitas é a estratégia de venda de jogadores.

Mesmo aí a austeridade tem influência. O progressivo aumento dos impostos sobre o trabalho torna mais difícil captar jogadores estrangeiros; para competir com ofertas de clubes em países com menos impostos, o Porto terá de pagar um valor bruto superior.

Mais: na divisão dos dinheiros da Champions, o contributo de cada país para as transmissões televisivas é um dos critérios de distribuição de receitas. Ou seja, com a pobreza das TV nacionais, cada vez menos dinheiro virá daí para os clubes portugueses.


E por muito dinheiro que venha da Champions ou das transferências, o FCP continua a ser um clube de Portugal: um país com uma recessão de (pelo menos) três anos, 16 por cento de desemprego, salários a cair a pique. Isso será inevitavelmente um país com cada vez menos gente nos estádios (aliás, cada vez menos gente tout court) e cada vez menos receitas para os clubes.

O 'handicap' português que o Porto sempre teve vai ser cada vez mais pesado. É verdade que a economia do resto da Europa também não é famosa, mas só os clubes gregos é que têm de enfrentar uma crise comparável.

Os triunfos do Porto na Europa nos últimos 30 anos já eram milagrosos, tendo em conta a desvantagem do país de origem. Temo que nos próximos anos a desvantagem vá ser maior ainda.

Adenda: Não concordo necessariamente com as soluções apresentadas nesta entrevista, mas mesmo assim é uma leitura muito interessante.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A dependência

A derrota do SLB em Guimarães relançou a Liga. Prevejo uma salgalhada à moda antiga nas próximas três quatro semanas. Com um clássico à porta, jogos importantes a nível europeu para FC Porto e SLB, Selecção pelo meio, todos os elementos para túneis, capas de jornal, arbitragens, bolas de golfe, caixas de segurança e afins, mesclam-se para criar mais uma "perfect storm" no futebol nacional.
O Porto tem tarefa difícil em Inglaterra e no campeonato. Em Inglaterra as dúvidas tiram-se logo, num jogo sem margem de erro. O Porto já tem muito pouco a perder hoje à tarde. Por isso, tem muitíssimo a ganhar com uma possível passagem.
Na Liga a conversa é outra. Chegar à Luz com dois pontos de atraso é extremamente positivo se tivermos em conta os últimos meses de competição. Como disse brilhantemente o BP, só um clube como o Porto, nesta altura da época, para depender de si próprio com VP no leme! Mas tudo isto relembra-me o desperdício que ronda o nosso clube este ano. O que poderia ter sido esta época se se mantivesse o núcleo/espírito do ano anterior? Enfim. De qualquer forma, as hostes vermelhas tremeram nesta última semana com dois resultados menos bons, algo que surpreendeu muita gente, mas apenas porque a propaganda dos "bons momentos" vermelhos é sempre exagerada. O Benfica está a fazer uma época muito boa até ao momento, sem dúvida, mas em futebol, sobretudo no nosso, falta quase sempre uma análise mais fria ao momento de cada clube, e notava-se naqueles lados, que uma eventual derrota ia "mexer" com o estado das coisas. Convenhamos até, que mesmo o Porto tem sido alvo de algumas injustiças analíticas. O momento não é bom, mas também não é péssimo.
A questão é simples para o Porto na Liga: ter recuperado o argumento "só dependemos de nós" é chamar a si próprio a responsabilidade do resto desta época. VP tem aqui a derradeira oportunidade de se "salvar" e estes jogadores não têm outra escolha se não ir à luta.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Quatro secos é curto

Quatro golos (bonitos golos, especialmente o do Álvaro Pereira - que remate fantástico!) não chegam. Ou melhor: claro que chegam porque o importante é ganhar e 4-0 é um luxo raro nos dias que correm. O que quero dizer é que a jogar assim, não há milagres e não vamos recuperar os pontos da distância que estupidamente deixámos criar.

Mais uma vez, oferecemos ao adversário mais de metade do jogo, jogando num sistema equivocado, com algumas peças equivocadas (menos mal: há correções em relação à primeira metade da época), e uma velocidade penosa. Mais uma vez, ficou claro que não há um plano para atacar, não há filosofia. A ideia da nossa equipa técnica é jogar uma espécie de Championship Manager de carne e osso: colam-se os números dos jogadores às suas posições num tabuleiro do balneário; e depois espera-se que, como eles são bons (embora menos bons que na época passada - porque será?), os golos lá apareçam, improvisados no momento. Ainda por cima agora até já há alguém para pensar o jogo dentro de campo (Lucho). Sendo assim, para que precisamos de fingir que temos um treinador no banco?

A menos que seja para nos privar de aproveitar os grandes jogadores que temos enquanto eles cá estão. Estou a pensar em James, claro. Mas também em Iturbe e Defour.

Nota final: gosto de Janko. É o meu estilo de jogador - não é um predestinado, mas sim um especialista. Ontem marcou um golo "fácil". Depois de ver jogar Kléber, acho que já todos sabemos que aqueles golos não são fáceis.