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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Coisas que deveriam dar que pensar...

...À administração da SAD, à estrutura do futebol e/ou a quem toma decisões no FCP. Não incluo neste lote o treinador pois este, apesar de "confiar inteiramente nas suas capacidades" (sic), parece ser um homem em negação da realidade, incapaz de impor a sua liderança ou sistema (?) de jogo e, do nosso ponto de vista, atingiu já um ponto de não retorno na sua capacidade de fazer do FCP uma verdadeira equipa de futebol.



                                                            Foto: o Jogo

Para a gerência deste Café, o que tem vindo a acontecer nas ultimas semanas e que culminou com o desaire deste fimde-semana, deve dar muito que pensar a todos aqueles que não se podem conformar com o actual estado de coisas:

1. O FCP passou, em três jornadas, de líder isolado com 5 pontos a terceiro classificado com 2 pontos de atraso. Três jogos em que a mediocridade exibicional que tem caracterizado a equipa não beneficiou da sorte ou do acaso, traduzindo-se em três justos resultados contra equipas que, talvez com excepção da Académica, se encontram no lote das mais fracas da liga portuguesa. E o FCP recebe o Braga na próxima jornada;

2. Ao fim de 11 jornadas, já parecem faltar justificações para o pobre futebol apresentado pelo FCP. Ao benefício da dúvida que sempre devemos dar a qualquer treinador que inicia funções, e que este Café corroborou, substitui-se agora uma enorme interrogação sobre o sistema táctico que o FCP 2013/14 apresenta, com um meio campo desorganizado e à procura  de perceber, tal como todos nós, o que é isso do "duplo pivô", uma defesa que soma a uma apatia e desconcentração invulgares, uma sucessão de erros toleráveis numa equipa de juvenis, e um ataque sem imaginação, sem acutilância, sem objectividade e com  muito poucas soluções dignas desse nome;

3."Errare humanus est, perseverare diabolicum". Muita gente conhece e usa, parcialmente, esta expressão latina que começa por dizer que errar é humano. Porém, poucos a usam na sua versão completa, que afirma que, apesar de errar ser humano, persistir no erro é diabólico ("perseverare diabolicum"). Paulo Fonseca tem persistido em dois erros que, a nosso ver, são fatais:

i) o sistema táctico que quer impor não resulta numa equipa como o actual FCP, e

ii)PF persiste em não o reconhecer, por teimosia, incapacidade ou arrogância. Um treinador que afirma que o FCP actual seria uma equipa perfeita se afinasse a finalização, dou por perdido o tempo que possa passar a compreendê-lo;

O sistema do duplo pivô no meio campo, ie, Fernando + 1 jogador de características "semelhantes" a jogar a seu lado (já foram Defour, Herrera e até Josué!) é contra-natura para uma equipa que joga ao ataque em 90% dos jogos (e não no contra-ataque, como o Paços de Ferreira) e tem um duplo efeito negativo: os jogadores do meio campo não encontram o posicionamento correcto em campo e com isso, além de desprotegerem a defesa, deixando imenso espaço para o adversário atacar (o que ajuda a explicar parte dos inúmeros golos sofridos esta época), também não são capazes de acompanhar o ataque com a intensidade necessária para o apoiar e criar situações de perigo, pois a desorganização entre sectores é tal que não ocupam os espaços necessários. 

Se olharmos para o modo como o FCP de Paulo Fonseca defende e ataca, é confrangedor ver o enorme espaço entre os sectores, a desconexão entre os três, e fica-se sempre com a impressão de que, quer o FCP esteja a atacar, quer esteja a defender, está sempre em inferioridade numérica!! E não vale a pena justificar com as elevadas percentagens de posse de bola: estas resultam, quase sempre, de um domínio consentido pelo adversário e que faz parte da respectiva estratégia (como no jogo com o Nacional!);

4. O desequilíbrio do plantel: como é possível o FCP ter, na sua defesa, um lateral (Danilo) de 16 milhões de euros, um central (Reyes) de 8 milhões que nem convocado é, mas não ter extremos? Num sistema táctico que precisaria de jogadores de qualidade nessa posição, para dar acutilância e rapidez, como é que se achou que Licá, Varela e Ricardo seriam suficientes para uma equipa com as aspirações e o nível de exigência do FCP? Como se deixa sair Iturbe, que mais uma vez, brilha em todo o lado menos no FCP, como não se aproveita Kelvin, como é que a prospecção do FCP só encontra laterais de milhões ou um avançado como Ghilas, que afinal tem um passe de 7 milhões do qual o FCP pagou metade, mas que não joga, mesmo que Jackson esbanje a sua arrogância profissional e competitiva jogo após jogo? 

5. A motivação e o prestígio: tem sido tema recorrente no FCP das últimas temporadas a gestão de expectativas dos jogadores. Diríamos que o FCP é vítima do seu próprio sucesso: as sucessivas vitórias e conquistas, sobretudo na última década,  têm resultado em excelentes negócios em termos de vendas de jogadores, e também num trampolim para que estes mesmos jogadores assinem contratos com salários milionários. Esta realidade tem funcionado como atractivo para que os jogadores queriam vir jogar para o FCP, pois às vitórias alcançadas juntar-se uma montra internacional que permitirá o salto para outros voos. 

Ora, a gestão das expectativas dos jogadores é fundamental para o equilíbrio mental e competitivo da equipa: se os jogadores sentem que podem sair, e se a administração entende que ainda não é o momento (inúmeros casos, desde Deco a Falcao, passando por Moutinho e Hulk), é preciso convencê-los de que vale a pena ficar, por fazerem parte de um projecto que é maior que as vontades individuais, mas que é um projecto de mais vitórias e de mais ambição, que resultará em maior projecção e que isso é benéfico para as aspirações individuais de cada um deles. O caso mais exemplificativo esta época é o de Jackson Martinez: a SAD decidiu, e bem, mantê-lo, mas é notório que o jogador está contrariado e insatisfeito. Longe de o querer desculpar, pois sou daqueles que romanticamente acha que jogar no FCP é recompensa suficiente, acho que, se disseram a Jackson que valia a pena ficar pois o FCP ia jogar a sério na Champions, em ano de Mundial, que ia ter uma equipa competitiva e a marcar golos, ele deve estar a perguntar-se onde está tudo isso agora;

6. O planeamento  e a gestão estratégica do futebol: esta (falta de) gestão de expectativas tem tido casos flagrantes de desvalorização de activos, dos quais Rolando e Álvaro Pereira são os casos mais recentes. Porém, parece-nos que o problema é mais fundo: o FCP tem um plantel desequilibrado e isso resulta também do insuficiente estudo do mercado e das necessidades da equipa. Exemplos? O FCP tem 4 centrais que podem ser titulares, mas não tem substitutos para os dois laterais. O FCP tem Fernando, Defour, Herrera, Josué, Carlos Eduardo, Izmaylov (???) mas não tem extremos. O FCP tem Ghilas, mas não joga. Mas não tem mais avançados. Ainda não há muitos tempo, fizemos uma época com Kléber e Walter como opções....Ninguém pensa nisto? Remendámos, há tempos, com Lucho e Janko, em janeiro. Este ano, consta que Quaresma está a caminho, depois de 6 meses parado...;

7. O sentimento dos adeptos: a gerência deste Café nunca poderá endossar actos de violência e intimidação. Mas a reacção à chegada do autocarro do FCP ao estádio do Dragão ontem deve dar que pensar aos jogadores, equipa técnica e direcção: este cluve não está habituado a conformar-se com mediocridade, exige sempre entrega, dedicação e profissionalismo no máximo. Mesmo quando se perde. E essa entrega não existe actualmente;


8. Ser Porto é olhar para que têm sido as últimas épocas e não aceitar que o clube seja palco de experimentalismos. As três última escolhas de treinador (AVB, VP e PF) foram puro experimentalismo: três treinadores sem qualquer crédito firmado e que serviriam para demonstrar a sabedoria e sagacidade estratégica da estrutura do FCP. Se a primeira correu muitíssimo bem, a segunda escapou ao criticismo mais generalizado pois o FCP foi bi campeão apesar de um futebol pobre e de campanhas europeias fracas. PF, por seu lado, esgotou o estado de graça em tempo recorde (12 jornadas e 5 jogos na Champions): a equipa tem vindo a jogar cada vez pior, o treinador nega as evidências ("o melhor FCP da época" depois do jogo com o nacional) e os jogadores cada vez mais displicentes, sem comando, sem organização.


Pinto da Costa não precisa de provar nada a ninguém sobre o carácter certeiro das suas escolhas: a história do FCP fala por si e confunde-se com as decisões acertadas do Presidente. Mas também se engana. Errar é humano. Mas persistir é diabólico. Saber reconhecê-lo a tempo de salvar ainda esta época seria o sinal de que todos precisamos para ter a certeza de que o ciclo de histórica liderança de Pinto da Costa não acabou. E que a SAD do FCP continua a ser a estrutura profissional e orientada para os resultados desportivos que conhecemos e apreciamos.

Desde 2004/05 que o FCP não estava três jogos seguidos sem ganhar. E todos nos lembramos de como essa época foi única, de tão penosa. Substituir o treinador não resolverá todos os problemas do FCP 2013/14. Mas será um sinal de que alguns destes problemas não atingiram a gravidade que muitos de nós receiam..

terça-feira, 22 de maio de 2012

...calma, Presidente...

«Vítor, sei como esta época foi difícil, como foi pegar num grupo de jogadores que tinha ganho tudo e que pensava que era o melhor do mundo. Mas não é, embora seja muito bom. Quando escolhemos é com critério, rigor e cuidado. E quando assinamos contratos não são para rasgar, mas para renovar. É o que temos feito e continuaremos a fazer.»

Pinto da Costa, em Espinho, terra natal de VP.

Muita calma nisso....que o homem acaba de regressar de Fátima e não tem pedalada para outra caminhada daquelas já de seguida...

sábado, 12 de maio de 2012

Da esplanada - próximo treinador do FCP: a hipótese que nunca foi e aquela que nunca poderíamos aceitar (epílogo)



Muito aconteceu desde que iniciámos este exercício prospectivo, que tinha como objectivo encontrar o treinador adequado para a próxima época do FCP, assente em alguns critérios: ser português, conhecedor do campeonato nacional, com convicção e ideias modernas sobre o futebol, líder no balneário com uma autoridade que derive da competência e da admiração que instile nos jogadores, e capacidade para pegar na equipa no primeiro dia da sua contratação.

Porém, confesso que esta tarefa foi sempre caracterizada por sentimentos mistos – se, por um lado, parece haver consenso neste Café quanto à incapacidade de Vítor Pereira para liderar o FCP, por outro, sempre tivemos presente que, sendo campeão como todos desejávamos, seria mais difícil que não continuasse.

Dissemos aqui, aliás, que se “arriscava a que os jogadores façam dele campeão nacional, caso em que me aventuro dizer que, seguramente, será treinador do FCP na próxima época”. Tal parece ser, de facto, o que vai acontecer.

Muito se especulou, em momentos diferentes, relativamente a dois nomes: André Villas Boas e Jorge Jesus. Deixei-os para o fim por considerar que se um nunca foi verdadeiramente uma hipótese real (AVB), o outro é alguém que não tem, de momento, qualquer crédito para treinar o FCP e que muito dificilmente seria bem aceite pelos sócios.

  •   A hipótese que nunca o foi: André Villas-Boas

AVB saiu do FCP nas condições que conhecemos, ainda que haja alguma discordância de opiniões sobre qual o grau de surpresa de Pinto da Costa sobre essa saída, sendo que hoje é claro que as relações entre o clube e AVB não correspondem à animosidade que parecia instalada nessa altura.

A saída para o Chelsea foi um erro, uma aventura precoce que tinha vários ingredientes para correr mal: um clube sem estrutura, um Presidente ansioso e impaciente, um plantel envelhecido, recheado de vedetas e sem motivação, e a pressão incontornável que resulta de se tratar do mesmo clube em que Mourinho teve o sucesso que se conhece e onde as comparações seriam sempre inevitáveis.

Com a época irregular que o FCP fez, a pouca consistência do futebol apresentado, instalou-se, após a saída do Chelsea, uma esperança entre os adeptos de que AVB poderia regressar  à cadeira de sonho, algo que foi alimentado pelo encontro de AVB com PdC no jogo com o Manchester City.

Pessoalmente, nunca acreditei nessa possibilidade. AVB saiu cedo demais do FCP, mas não poderia voltar agora – do ponto de vista da gestão da sua carreira, ainda que regressar com sucesso ao Dragão lhe pudesse dar um  novo fôlego, AVB não o quererá fazer nesta fase, pois além de poder estar a assumir implicitamente o fracasso da decisão de sair, é um treinador com mercado nos principais campeonatos europeus e com vontade de arriscar e prove himself. E o que quer que fizesse no FCP dificilmente suplantaria a época de sonho que teve em 2010/2011.

AVB deverá começar a próxima época num importante clube europeu, não de primeiríssima linha (Inter, Liverpool), mas de “segunda” linha (Valência, Roma..), onde possa lançar um projecto com um nível de pressão menos intenso, mas onde o desafio será muito mais aliciante do que regressar ao FCP agora.
Regressará um dia e sou dos que o defende.

  • A hipótese que nunca poderíamos aceitar: Jorge Jesus

É sabido que, no final da primeira época no clube que não é bi-campeão há 30 anos, Jorge Jesus teve um acordo (verbal) com o FCP. Felizmente, não se concretizou, pois abriu as portas a AVB e ao que se seguiu. Porém, este episódio deve dar-nos que pensar quanto a uma certa postura e maneira de estar no futebol que JJ tem e que, salvo melhor opinião, penso que jamais se poderia coadunar com o que é ser Porto.

JJ é um treinador que sabe muito de futebol, com décadas de experiência no futebol português e tem os seus méritos. Porém, o seu percurso recente levou-o para uma trajectória diametralmente oposta daquilo que considero ser um treinador à Porto – sério, consistente, sóbrio nas intervenções, sem se deslumbrar com as vitórias e seguro de si e do seu trabalho nas derrotas (além das qualidades técnicas e tácticas..).

JJ, ao fim de todos estes anos a ver o FCP ganhar, ainda não percebeu onde está o topo. E dessa desorientação, não precisamos. Todo o discurso de JJ, aquele mau perder que resulta de um ego sem limites, o seu o estilo arruaceiro, não seriam aceitáveis para o momento que o FCP vive.

Só se fosse mesmo para chatear o seu actual clube, mas para isso já tivemos o Cristian Rodriguez...

Este Café, por exemplo, dificilmente poderia tornar-se numa taberna que apoiasse um indivíduo destes.


- Epílogo: VP será o treinador do FCP na próxima época. É uma perspectiva que me causa apreensão, mas que compreendo. Devemos à serenidade de PdC, à sua experiência e liderança, o facto de não ter deixado cair VP a meio da época -  se o tivesse feito, provavelmente não teríamos sido campeões, pois voltaria tudo à estaca zero, gerava instabilidade e os cinco pontos de atraso que tivemos na altura mais crítica da época talvez se tivessem tornado em 8 ou 10 em poucas jornadas. PdC foi fiel a si mesmo e à receita que levou o FCP a ser o clube com mais títulos em Portugal.

Vamos esperar que o Presidente tenha razão mais uma vez. Esta esplanada será agora palco de outras reflexões. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Da esplanada - o próximo treinador do FCP: Domingos Paciência



Após um breve interregno, regresso a este nosso exercício prospetivo. Como tem sido comentado nas mesas deste Café, o tempo tem sido de cerrar fileiras em torno de VP e de concentrar toda a energia no apoio à equipa, por mais que ambos nos continuem a fazer sofrer esta época. Porém, VP tem mais 4 jogos à frente do FCP, pelo que encontrar um novo treinador é uma tarefa premente.

Tenho sido instigado com decretos reais e até brincadeiras de 1 de abril, o que, por um lado, revela o desígnio nacional (da nação portista, entenda-se) que é encontrar um treinador que esteja à altura da tarefa, e, por outro, as movimentações de empresários que procuram influenciar a linha editorial deste Café. Saibam uns e outros que tomamos as devidas notas, de lápis na orelha, enquanto tiramos mais um cimbalino.

Como tal, depois de Vítor Pereira, Pedro Emanuel e Leonardo Jardim, chegamos, a pedido de muitas famílias, a Domingos Paciência.

Vamos às considerações.

Attack, attack

- é, de todos os que considero possíveis e desejáveis, o que talvez conheça melhor o FCP por dentro, depois das épocas gloriosas que por lá viveu, do jogador carismático que foi e da empatia especial com os adeptos que sempre teve, mesmo como treinador de equipas adversárias. Domingos é dos jogadores que mais saudades tenho quando vejo alguns dos erros de casting que nos têm acontecido mais vezes do que seria desejável;

- o trabalho que fez nos últimos anos, especialmente no Braga, revelam um treinador em amadurecimento, com ideias definidas sobre o que quer das suas equipas, que procura que funcionem como um bloco compacto, certas defensivamente, que cometem poucos erros e saem para o ataque com criatividade e objetividade. Confesso que, face ao FCP desconcentrado e passivo defensivamente desta época, com movimentos atacantes previsíveis e dependentes de inspirações individuais, o perfil do Domingos de Braga seduz.

- Levar a Académica ao 7º lugar e o Braga ao 2º lugar, em épocas seguidas é resultado de um trabalho sólido e não me parece resultar de sorte ou acaso. Levar o Braga à final da liga Europa, depois de eliminar o Liverpool e o Dínamo de Kiev, não esquecendo s 9 pontos feitos num grupo da Champions onde estavam Arsenal e Shaktar, soam a feitos ainda mais heróicos depois da caminhada derrocada europeia do FCP deste ano;

- é um treinador que aposta em jogadores portugueses, que os motiva e valoriza. Insisto que o nosso modelo de gestão desportiva deve re-orientar-se neste sentido, especialmente com as dificuldades financeiras atuais e futuras... 

- confesso que gostei do SCP desta época até ao jogo da Luz: uma equipa agressiva, com soluções, motivada. É certo que aquilo estava tudo preso por arames, mas isso deve-se mais à (ausência de) estrutura do que ao treinador e à equipa, onde mais de 70% eram jogadores novos;


Vocês sabem do que estou a falar:

- o modelo de jogo que resultou na Académica e no Braga, e que podia implantar-se no atual Sporting, parecia-me por vezes demasiado defensivo, com muita contenção e demasiado na expectativa para poder desferir o golpe no adversário. Foi assim que eliminou os grandes na Europa e que subjugou o mestre da tática e da chiclet nas meias-finais da Liga Europa. O único que não foi nessa cantiga foi o AVB, na final da Liga Europa. Não tivemos tempo de ver o que seria o Sporting de Domingos, mas tenho sérias dúvidas quanto à aplicabilidade deste modelo de jogo ao FCP;

- a liderança: pode ser impressão minha, mas acho que a carreira de Domingos até agora tem revelado um perfil de liderança ainda frágil, especialmente em Leiria e também no SCP. Acho que precisamos de alguém que assuma uma liderança serena, mas confiante e assertiva, sem show-off nem vaidades, mas com fleuma e segurança. Não estou convencido que Domingos tenha isto;

- diga-se o que se disser, saiu fragilizado do SCP, pois era o teste a sério no mundo do grandes, depois das campanhas de sucesso em Coimbra e em Braga. Não digo que Domingos tenha falhado, mas é seguro afirmar que não triunfou. E isso coloca uma pressão adicional na sua próxima etapa como treinador: se for para o FCP, a sua margem de erro estreitou-se muito depois de já ter passado pelo terceiro maior clube nacional em termos de títulos. Jogará a definição da sua carreira: ou se afirma como treinador vencedor e de topo, ou terá de dar um passo atrás e voltar a um clube com um nível de pressão diferente. Porém, o FCP já esgotou o seu cartucho de experiências de laboratório esta época.


Dito tudo isto, eu gosto do Domingos e acredito que, se a época for planeada por ele, com as contratações e as vendas/dispensas acertadas (dedicarei brevemente um Post a este assunto), pode ser uma boa escolha. É portista, identificado com o clube e com um capital de moral singular junto dos adeptos, tem ideias modernas e evoluídas sobre o futebol e o modo de estruturar as suas equipas com os recursos à disposição. E, como disse, gosto do estilo e humildade à Porto, em que se trabalha mais do que o que se fala, em que se ganha mais do que se faz capas de jornais.

Se vier, virá por bem e é indiscutivelmente dos nossos. Está no meu top 3.

sábado, 24 de março de 2012

Da esplanada - o próximo treinador do FCP: Leonardo Jardim



Agora é a sério. Depois de termos explicado o racional deste exercício, de termos avançado a hipótese possível, mas não desejável, e após termos feito uma primeira investida nas possibilidades reais de mudar as coisas, é chegada a altura de subir o tom. Como diz o Filipe, porra, este Café quer ter
influência no futuro do nosso clube. De que serve um cimbalino se não for para despertar quem decide?

E também não é para chatear o Zero e a sua escolha emocional do Sérgio Conceição. Para isso, já lhe vou lá dizer que o Sérgio é grande, mas está mais próximo de ser o nosso Sá Pinto do que nos levar de volta ao lugar de vitórias serenas que é o nosso.

O nome não é novo –especulou-se muito, aliás, na imprensa do regime (i.e., para desestabilizar) que poderia substituir AVB, in ilo tempore. Terá Leonardo Jardim ido rodar para Braga?

Vamos às considerações:

  • Attack attack


- É um treinador português, com traquejo suficiente de 1ª liga (e não um Couceiro que andou a saltitar de aflito em aflito até comprar uma gravata de jeito), com uma abordagem moderna ao futebol (que se pode inferir da versatilidade táctica da equipa do Braga, do modo como são os jogadores que se adaptam ao modelo ou como, quando é necessário, o modelo se adapta aos jogadores) e ambicioso;

- Tem um discurso sintético, claro e sóbrio. A sua postura está a demonstrar uma forma de lidar com a pressão, para fora, e de transmitir serenidade, para dentro, que revelam capacidades de liderança;

- Um treinador que põe Ukra e Hélder Barbosa a jogar e a render fez mais pela afirmação das camadas jovens do FCP num ano do que todos os treinadores que passaram pelo campeão nacional nos últimos tempos. A próxima época, já o disse aqui, deverá forçar o FCP a deixar-se de luxos que não se compadecem com a nossa cultura de clube e a recentrar-se num modelo de gestão desportiva que assente em jogadores que tenham a cabeça no FCP e que se queiram afirmar, seja complementado com os jogadores com experiência e mística de clube (Lucho, Helton) e com jovens valores que tenham, pelo menos, o mesmo espaço e tempo para provarem o seu valor (Castro, Ukra, H. Barbosa, Vion, etc) do que vedetas contratadas a empresários com comissões chorudas (C. Rodriguez, M. Gonzalez, etc). Se há alguém que me parece ser capaz disso é Leonardo Jardim;

- Isto para não dizer que, se vier treinar a equipa com mais títulos a nível nacional e internacional em Portugal, traz o Lima (pá, gosto do gajo, o que querem? Não é um Falcao sem til, mas é muito mais que um Kléber com acento!)

- O Braga, com exceção de Domingos até um dia ir treinar o FCP, tem sido ante-câmara de treinadores campeões nacionais (com as nuances de um ser il professore Jesualdo e o outro a figura que manda nos túneis);

- A notável época que o Braga está a fazer, da qual recordo, e.g. a vitória em istanbul contra o Besiktas do Carvalhal (sim, bem sei que este é algo entre um Couceiro sem gravata e um Manuel José marroquino), em que tem, neste momento, exactamente o mesmo registo do que o 2º classificado – em 23 jogos, 17 vitórias, 4 empates e duas derrotas, 51 golos marcados (!!!, 18 à conta do Lima, menos 3 que o FCP) e 19 sofridos (+ 3 que o FCP). É notável;


  • Vocês sabem que eu estou a falar


- Tenho pouco a dizer. Parece-me a aposta mais acertada, dentro do naipe de escolhas que acho que devemos considerar. A inexperiência num clube com outro nível de pressão, em que não pode dizer a época toda que não é candidato ao título, pode pesar, mas acho que é madeirense para lidar com isso.

Adenda: o Braga foi eliminado esta semana da Taça (?) da Liga, o que só prova que este homem é mesmo dos nossos – prefere concentrar energia em ficar no 2º lugar atrás do FCP do que em disputar uma liguilha que conta tanto como a taça Ibérica.


Leonardo, faz a tua parte para a semana. Nós saberemos recompensar-te.

Beberei uma poncha a isso!

quinta-feira, 22 de março de 2012

10 razões para ter um pouco mais de paciência com o homem




Olá a todos! Estreio-me neste espaço graças ao amável convite do Zero, e começo com uma declaração que provavelmente fará com que eu seja expulso já a seguir:

Talvez o Vítor Pereira não seja assim tão mau.

Enfim, não me interpretem de uma maneira errada; acho que o indivíduo de facto será um bocado medíocre, que seria um bom treinador para o Santa Clara mas talvez não para o FCP. 

Contudo, não creio que o fulano seja o culpado de tudo o que correu mal este ano. Eis 10 factores atenuantes:


1- É mais difícil sem o gajo que marcava os golos

Lembram-se do Falcao? Pois, o tipo que marcava aqueles golos todos. Não foi culpa do VP que ele se tenha ido embora, e que a táctica do "despeja a bola para a área e o 9 resolve" tenha deixado de funcionar quando o 9 passou a ser o Kleber (não é avançado) e o Walter (é gordo  e preguiçoso).

2- É mais difícil sem o outro gajo que marcava os golos

Lembram-se do Hulk? Pois, ainda lá está. Mas já não é tão incrível. Nos primeiros 20 ou 30 jogos de 2010/11, o homem andava imparável. Na parte final da era AVB - antes ainda do VP - estava um pouco abaixo. 
Este ano, não está na mesma forma. Continua bom, às vezes mesmo muito bom, mas nunca mais recuperou aquele nível do  início da época passada, em que estava a jogar num patamar de "não-é-tão-bom-como-o-Messi-ou-o-Ronaldo-mas-pelo-menos-não-é-totalmente-ridículo-sugerir-que-está-a-esse-nível".

3- E ainda ficou sem o Freddy

Lembram-se do Guarin? Pois, esteve dois anos no Porto a secar no banco ou a jogar na taça contra o Sertanense. Depois com o AVB passou a fazer coisas assim. Parecia o Zidane, e depois este ano voltou à mediocridade, excepto quando ficou lesionado.

4- Só deram tralha ao VP

Kléber... É novo, pode evoluir, mas para avançado do FCP?
Djalma... É esforçado, trabalhador, mas para avançado do FCP?
Alex Sandro... Eh pá, sabiam que este tipo custou oito milhões de euros?

5- Quando não lhe deram tralha, veio tarde

O Mangala e o Defour chegaram já com a época em andamento. O Danilo já em janeiro (e logo a seguir ficou inválido). O Lucho e o Janko chegaram há quê, quinze dias?

6- Perder as taças foi chato, mas acontece

Sim, aquele jogo com a Académica foi ridículo, mas todas as equipas têm um jogo em que tudo lhes corre mal, e em competições a eliminar a um jogo as coisas às vezes são assim. 
Já na taça da ex-cerveja e ex-apostas online, a competição mais inútil e incompreensível de toda a Europa, foi um bocado de azar - o jogo podia de facto ter caído para qualquer lado, o FCP foi roubado, e um regulamento perfeitamente imbecil obrigou o FCP a jogar uma meia-final a uma mão (!) no estádio do adversário por sorteio (!!).

7- Perder a Liga Europa foi chato, mas acontece

O City tem melhor equipa, e ao contrário do que aconteceu com os Sá Pintos não estava a dormir na forma. E o FCP estava por cima até sofrer aquele autogolo inexplicável do Álvaro - o tipo de coisas que parece que Zeus está a dizer "odeio-te", que ao AVB nunca aconteciam mas ao VP parecem ocorrer com frequência sem que seja necessariamente culpa dele.


8-Perder a Champions foi chato, mas acontece.

Não, esperem, não há qualquer justificação para fazer um ponto em dois jogos com o APOEL, e um ponto em dois jogos com o Zenit. O APOEL? De Nicósia? Eh pá, nem que ganhem ao Real Madrid e sejam campeões europeus, não se admite fazer um ponto em dois jogos com uma equipa de Chipre. Oh VP, o APOEL? E o Zenit? Adiante, vamos fazer um novo ponto 8 com...

8- O campeonato não está a ser totalmente mau

Sim, a equipa não está a ser genial, longe disso. Mas ainda só perdeu um jogo. E a sete jornadas do fim, vai à frente.

9- A doença do "mais"

A ressaca de uma temporada em que se ganha tudo, tudo, tudo é terrível. Às vezes é mais difícil ser bicampeão que ser campeão.

Um senhor todo bem vestido escreveu com eloquência sobre a "doença do mais": numa equipa que ainda não é campeã todos têm fome de ganhar, todos estão dispostos a sofrer pelo bem comum. Numa equipa que já foi campeã, a fome é outra - todos querem mais bola, mais dinheiro, mais protagonismo.

 
10- Podia ser muito pior

A sério. Podia ser muito, muito pior.

domingo, 11 de março de 2012

Da esplanada: o próximo treinador do FCP II - Pedro Emanuel

Tinha um esboço deste post preparado há uns dias, mas decidi retê-lo por dois motivos: o VP tinha direito ao seu estado de graça (que durou exatamente uma semana e um dia) e tinha curiosidade de ver como Pedro Emanuel organizaria a sua equipa frente ao FCP nesta jornada, assumindo eu que esperava não confirmar que a simplicidade com que havia dado uma lição tática na eliminatória da Taça de Portugal não se repetisse no Dragão, e logo nesta altura decisiva.  Apesar de ser penoso ter visto como uma equipa com tão escassos recursos anulou o primeiro classificado desta caricata Liga 2011/2012, fiz bem ter esperado.






Vamos às considerações.

  •        Attack attack

- Pedro Emanuel conhece bem o futebol português, foi campeão, enquanto jogador, por dois clubes (Boavista e FCP) e integrou a equipa técnica de AVB no ano de sonho. No seu período de FCP, bem como atualemente, sempre revelou qualidades de liderança, ponderação e serenidade na sua postura e no seu discurso;

- O seu passado no clube e o prestígio de que goza conferem-lhe o potencial de liderança, à partida, que é decisivo num clube como o FCP. Mais ou menos o mesmo que o VP diz que o balneário ganhou com a chegada do Paulinho Santos (numa confissão implícita de que aquele, de facto, não granjeia essa liderança), mas em melhor e mais polido;

- Apesar de ter feito a sua formação noutro clube, rapidamente assimilou, se identificou e assumiu a mística do que é ser Porto. A propósito da menção que o Zero aqui fez ao Bicho, revi o vídeo desse jogo e a revolta de Pedro Emanuel no lance do golo da equipa adversária demonstra bem o incorformismo e a revolta que estiveram na origem da garra coletiva que permitiu a reviravolta no resultado (a este propósito, é gritante o contraste com a reação da equipa ao golo sofrido ontem com a Académica – a apatia e o conformismo, como se estivessem à espera..). Isto não diz nada da sua capacidade como treinador, mas confere-lhe uma característica que é determinante para mim (como o era em  AVB): sei que se o FCP não ganhar, ele vai para casa tão chateado como eu. E isso contagia (ou deve contagiar) os jogadores;

- A Académica está longe de estar a fazer um campeonato brilhante. Mas também não o havia feito com AVB, antes deste rumar à cadeira de sonho. Porém, nos poucos jogos que vi (designadamente com o FCP e com o. 3º classificado desta Liga à hora que escrevo este post), encontrei uma equipa com muitas limitações em termos de jogadores, mas bem organizada, disciplinada taticamente, agressiva, os jogadores com noções exatas do que estão a fazer em campo, uma noção equilibrada entre a consciência das fraquezas próprias e as possibilidades de explorar as vulnerabilidades alheias. Uma equipa em que não há estrelas nem individualismos, mas na qual o coletivo é claramente maior do a soma aritmética das partes;

- o jogo de ontem: ainda não consigo falar do que vi e do que senti, mas sempre direi que enquanto, de um lado, uma equipa dependia dos jogadores e da sua boa vontade em se motivarem e jogarem um bocadinho de futebol para continuar em primeiro na Liga, do outro havia uma equipa que deve ao seu treinador o belíssimo jogo que fez, com os escassos recursos à sua disposição;

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  • -       Vocês sabem do que eu estou a falar

- A inexperiência: seria a terceira aposta de risco seguida de PdC neste formato de treinador português, jovem, com pouca experiência, conhecedor da casa, motivado e com um pensamento moderno sobre o futebol. Com AVB correu muito bem, mas em minha opinião o André é one of a kind. Com VP, mesmo que acabe por correr bem com uma possível conquista do campeonato (que, confesso, muito me surpreenderá), não se pode considerar um opção de sucesso;

- A pressão da próxima época: o risco é ainda maior se considerarmos que o próximo ano será decisivo na vida do FCP, tanto em termos desportivos como no modelo de gestão do clube – haverá menos dinheiro para gastar em contratações milionárias, haverá saídas importantes do plantel (Fernando, Palito, James?), pelo que terá de haver um regresso à formação e à inteligência na gestão do plantel;
- A falta de resultados consistentes: em bom rigor, Pedro Emanuel ainda não provou nada em termos de resultados. A Académica tem feito um campeonato irregular, oscilando entre jogos muitos conseguidos e outros em que revela muitas fragilidades.

Eu gosto do rapaz. Gostei de o ouvir falar no final do jogo que nos valeu o regresso à liderança, há duas semanas, como após o jogo de ontem, em que voltou a casa para mostrar que bastava jogar com linhas altas e pressão no portador da bola, para as “competências” de VP fiquem expostas.
Dito isto, seria uma aposta arriscada, que apoiaria com reservas. Mas o PdC é que sabe.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Quatro secos é curto

Quatro golos (bonitos golos, especialmente o do Álvaro Pereira - que remate fantástico!) não chegam. Ou melhor: claro que chegam porque o importante é ganhar e 4-0 é um luxo raro nos dias que correm. O que quero dizer é que a jogar assim, não há milagres e não vamos recuperar os pontos da distância que estupidamente deixámos criar.

Mais uma vez, oferecemos ao adversário mais de metade do jogo, jogando num sistema equivocado, com algumas peças equivocadas (menos mal: há correções em relação à primeira metade da época), e uma velocidade penosa. Mais uma vez, ficou claro que não há um plano para atacar, não há filosofia. A ideia da nossa equipa técnica é jogar uma espécie de Championship Manager de carne e osso: colam-se os números dos jogadores às suas posições num tabuleiro do balneário; e depois espera-se que, como eles são bons (embora menos bons que na época passada - porque será?), os golos lá apareçam, improvisados no momento. Ainda por cima agora até já há alguém para pensar o jogo dentro de campo (Lucho). Sendo assim, para que precisamos de fingir que temos um treinador no banco?

A menos que seja para nos privar de aproveitar os grandes jogadores que temos enquanto eles cá estão. Estou a pensar em James, claro. Mas também em Iturbe e Defour.

Nota final: gosto de Janko. É o meu estilo de jogador - não é um predestinado, mas sim um especialista. Ontem marcou um golo "fácil". Depois de ver jogar Kléber, acho que já todos sabemos que aqueles golos não são fáceis.